Sarkozy e Zapatero mantêm prudência quanto à missão por Ingrid Betancourt

O presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou nesta quinta-feira, em Bucareste, ter notícias sobre a missão lançada pela França pasra tentar ajudar a refém Ingrid Betancourt, mas se negou a dar detalhes.

AFP |

Mantendo a mesma atitude, o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu "máxima prudência" ante essa missão, na qual a Espanha participa junto com a França e a Suíça para tentar libertar os reféns das Farc.

"Devemos ter a máxima prudência para que a missão humanitária possa ser concluída com êxito", afirmou Zapatero em coletiva de imprensa à margem da cúpula da Otan.

"Tenho notícias, mas levando em conta a delicadeza desse tema, não quero dizer nada. A missão já partiu", comentou, laconicamente, Sarkozy durante uma coletiva conjunta com a chanceler alemã Angela Merkel.

O avião da missão humanitária francesa chegou nesta quinta-feira a Colômbia, apesar da guerrilha das Farc não ter respondido até o momento sobre a possibilidade de um encontro com a refém.

Uma fonte militar colombiana confirmou o pouso do avião no aeroporto militar de Catam, em Bogotá, e afirmou que o mesmo está pronto para viajar a outra cidade da Colômbia para buscar Betancourt, a quem a equipe deve fornecer atendimento médico.

Questionada sobre a possibilidade da missão entrar em contato com Ingrid Betancourt, a fonte francesa respondeu: "Não temos reposta das Farc".

No entanto, a agência de notícias Anncol, ligada à Farc, classificou o presidente francês de ingênuo.

"Até para uma libertação unilateral é preciso que as partes acertem algum mecanismo, de segurança, pelo menos. É estranho que o presidente Nicolás Sarkozi seja tão ingênuo e a Cruz Vermelha o acompanhe em tão perigosa aventura", afirma um texto da Anccol na internet.

A Anncol também assinalou que é preciso desconfiar das propostas da França.

"Não se pode esquecer que a França é um país capitalista, que seu presidente é de direita, que é membro da Otan, e que não sabemos até onde vai sua sinceridade. É preciso recordar que os países têm interesses, não amigos", enfatizou a agência.

O grupo guerrilheiro mantém Ingrid como refém há seis anos.

O avião, um Falcon 50, fez escala antes em Fort de France (Martinica). Do aparelho desceram quatro ou cinco pessoas durante o reabastecimento.

A missão foi iniciada um dia depois do apelo do presidente francés Nicolas Sarkozy para que as Farc libertem a franco-colombiana, que segundo o chefe de Estado está em "perigo de morte iminente".

O presidente colombiano, Alvaro Uribe, afirmou, por sua vez, não dispor de "nenhuma confirmação sobre as más notícias que circularam na semana passada" a respeito da saúde de Ingrid Betancourt.

"Não temos nenhuma confirmação sobre as más notícias que circularam na semana passada", respondeu Uribe, entrevistado pela rede francesa de televisão FR3.

"Não temos nenhuma confirmação. O exército e a polícia foram a muitos lugares, falaram com muitas pessoas e ninguém confirmou as más notícias que correram", insistiu o presidente, que falou em inglês.

Uribe voltou a dizer que estaria disposto "a iniciar ações concretas com o governo francês" para a libertação de Ingrid, e a suspender as operações militares nas regiões onde a missão humanitária francesa deve atuar.

Ingrid Betancourt faz parte de um grupo de 39 seqüestrados da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia que seria trocado por 500 rebeldes presos em Bogotá em uma eventual troca humanitária.



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