Sarkozy e Rice exigem que Moscou respeite integridade territorial da Geórgia

Paris, 14 ago (EFE) - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, fizeram hoje um apelo conjunto à Rússia para que cumpra o prometido e respeite a integridade territorial da Geórgia.

EFE |

O chefe de Estado francês, acompanhado do ministro de Exteriores, Bernard Kouchner, recebeu em sua residência oficial de verão de Fort Brégançon (sudeste do país) a secretária de Estado americana, que viajará amanhã à Geórgia com a intenção de transmitir o apoio dos Estados Unidos à república do Cáucaso.

Um comunicado oficial do Palácio do Eliseu pede às partes em conflito que assinem "sem demora" o protocolo de acordo de seis pontos, que foi aceito na terça-feira passada tanto pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, quanto pelo governante georgiano, Mikhail Saakashvili, após uma viagem relâmpago de Sarkozy às duas capitais.

O acordo permitiria, segundo o comunicado, "consolidar o fim das hostilidades e acelerar a retirada das forças russas para suas posições anteriores a 7 de agosto".

A nota também menciona uma conversa entre Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel, que "reiterou o apoio pleno da Alemanha a todas as gestões".

Em uma breve declaração à imprensa depois da reunião com o presidente francês, Rice disse que "já é hora de pôr fim à crise na Geórgia".

No entanto, enquanto Rice destacou a necessidade de Moscou cumprir "o prometido" e se retirar da Geórgia, Sarkozy deu a entender que é o presidente georgiano quem tem em suas mãos o poder de mudar a situação atual.

"Se amanhã o presidente Saakashvili assinar os documentos que negociamos com o senhor Medvedev, então a retirada das tropas russas poderá começar", acrescentou o chefe de Estado francês.

O plano de seis pontos negociado por Sarkozy estipula, em uma linguagem freqüentemente ambígua, a renúncia ao uso da força, o fim definitivo de todas as ações militares, o livre acesso à ajuda humanitária e o retorno das Forças Armadas da Geórgia a sua localização habitual.

Além disso, as tropas russas deverão ser retiradas à linha que existia antes da eclosão do conflito, mas poderão tomar medidas de segurança adicionais até a criação dos mecanismos internacionais correspondentes.

Finalmente, prevê que se abra um debate internacional para decidir o futuro status das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia e determinar a via que garanta sua segurança.

Entretanto, Moscou não quer nem ouvir falar de "estatuto futuro" para estes dois territórios, onde a maioria pró-russa declarou a independência unilateral, enquanto a Geórgia não assinar um tratado de não agressão contra eles.

Perguntada sobre as declarações do ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, de que "é melhor esquecer toda discussão sobre a integridade territorial da Geórgia", Rice disse que os Estados Unidos "defendem com firmeza" a integridade dessa ex-república soviética.

"Suas fronteiras devem ser respeitadas" e sua integridade "deve ficar de fora de dúvidas", afirmou a representante americana.

Segundo Sarkozy, a reunião de hoje com a secretária de Estado mostrou "uma identificação muito grande de pontos de vista" entre os dois países.

Ambos coincidiram na vontade de "obter a paz, a retirada das forças militares russas da Geórgia e o respeito à soberania, à independência e à integridade deste país", disse o presidente francês. EFE jms/ab/db

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