Sarkozy e Obama demonstram harmonia em relação a problemas internacionais

Paris, 25 jul (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o candidato presidencial americano Barack Obama enfatizaram hoje que compartilhavam os mesmos pontos de vista em assuntos como Irã, Afeganistão, o processo de paz do Oriente Médio e a mudança climática, na breve visita do democrata a Paris.

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Sarkozy também se disse "impaciente" para que os Estados Unidos elejam um novo presidente para poder reforçar os vínculos transatlânticos, em entrevista coletiva conjunta após reunir-se com Obama durante uma hora no Palácio do Eliseu.

"Os franceses amam os americanos", disse Sarkozy, que expressou seu desejo de que haja "muitas iniciativas em comum entre Europa e EUA".

Paris foi a penúltima etapa da viagem internacional de Obama, na qual passou por Iraque, Afeganistão, Jordânia, Israel e Alemanha, e que terminará amanhã, no Reino Unido.

Ao contrário da enorme recepção de ontem em Berlim, onde foi aclamado por 200 mil pessoas e pronunciou o único discurso de sua viagem, Obama passou apenas algumas horas em Paris, nas quais, no entanto, ficou demonstrada sua sintonia com Sarkozy, que não oculta sua admiração pelos EUA.

Obama disse "confiar" em Sarkozy para reforçar as relações transatlânticas, que chegaram ao seu ponto mais baixo em 2003 quando o então presidente francês, Jacques Chirac, clamou pela oposição internacional à decisão de George W. Bush de invadir o Iraque.

O candidato democrata à sucessão do republicano Bush disse que "durante muito tempo" existiu uma "caricatura dos dois lados do Atlântico", na qual os americanos eram considerados "unilaterais e militaristas", e os europeus como aqueles "que não queriam sujar as mãos" para solucionar os problemas do mundo.

Obama, que se disse feliz com o fato de Sarkozy ter rompido "muitos desses estereótipos", destacou que é um dos "líderes mais importantes" nas negociações do programa nuclear iraniano, que apresenta "uma situação extremamente grave".

Ele advertiu o Irã de que "não deve esperar pelo próximo presidente dos Estados Unidos" para aceitar a oferta feita pelas seis potências -EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha- para pôr fim ao seu "programa nuclear ilícito", pois as pressões "só aumentariam".

Além disso, agradeceu à França por sua contribuição aos esforços para pacificar e desenvolver o Afeganistão, e repetiu seu pedido aos europeus para que intensifiquem seus esforços nesse país.

Obama ressaltou a necessidade de que americanos e europeus trabalhem juntos para solucionar o conflito no Oriente Médio, a crise em Darfur (Sudão), a mudança climática, os problemas energéticos e para combater o terrorismo, questões que "não podem ser solucionadas por um só país".

"Os EUA são um país poderoso, mas em um tema como a mudança climática não podemos trabalhar sozinhos. Será necessário um esforço internacional e uma agenda comum", assinalou, ao afirmar que caso seja eleito presidente, a luta contra o aquecimento global será uma de suas prioridades.

Durante a entrevista coletiva, Obama e Sarkozy mostraram uma grande cumplicidade, e o candidato democrata lembrou que, na visita que Sarkozy fez aos EUA em novembro, foi recebido como "uma estrela do rock", e que por isso os americanos voltaram a chamar as batatas fritas de "french fries" (fritas francesas), uma expressão proibida durante crise das relações bilaterais.

"A aventura de Barack Obama é uma aventura que fala aos corações dos franceses e dos europeus", disse Sarkozy, que afirmou, no entanto, que "são os americanos os que devem escolher seu presidente".

Sarkozy, que já recebeu em duas ocasiões o candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, disse que a França será "amiga" dos EUA não importa quem seja eleito em novembro.

"Mas cada um tem o direito de se interessar por um candidato que olha para o futuro e não para o passado", declarou. EFE ik/bm/gs

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