Paris, 4 fev (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, consideram hoje que a colaboração entre a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em matéria de defesa não está à altura do esperado e apostam em uma autêntica cooperação fundada sobre a necessária complementaridade.

"Em nossa opinião, o acordo estratégico entre Otan e UE não está à altura de nossas esperanças, devido aos desacordos persistentes entre certas nações. Pensamos que isso deve evoluir", afirmam os dois líderes em uma coluna conjunta publicada no site do jornal francês "Le Monde".

O que chamam de "autêntica cooperação" entre UE e Otan em defesa é uma das prioridades que Sarkozy e Merkel estabelecem para a reforma da Aliança Atlântica por ocasião do 60º aniversário de sua criação.

O texto dos líderes diz que França e Alemanha aguardam "um novo conceito estratégico" da Otan, que deve ter "novas orientações e ser transformada de forma crível".

"Frente aos riscos do século XXI, é necessário reforçar a colaboração transatlântica de segurança e defesa e adaptá-la aos novos desafios", assinalam.

Para isso, Sarkozy e Merkel acham que os Estados Unidos e a UE devem "analisar juntos as situações, tomar decisões comuns e colocá-las em andamento em colaboração", o que é "contraditório" com "decisões unilaterais".

Os dois líderes consideram o programa nuclear iraniano "o maior desafio" da história do tratado de não-proliferação. Ambos se dizem determinados a impedir "o acesso do Irã ao armamento nuclear porque isso seria uma grave ameaça para a paz mundial".

Segundo Sarkozy e Merkel, a chegada de Barack Obama à Casa Branca "está já marcada por novas ações em matéria de política externa e de segurança" e estão convencidos de que "a colaboração euro-atlântica em segurança permitirá que enfrentem juntos riscos e ameaças".

"Trabalhando em um espírito de confiança, com vontade e coesão, construiremos, se não o melhor dos mundos, um mundo no qual progredirão a paz e a segurança para todos", concluíram. EFE lmpg/rr

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