O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, disseram em Paris que defenderão uma posição comum na reunião do G8 em Áquila, na Itália, e tentarão convencer os países ricos da necessidade de realizar mudanças na governança global. O objetivo defendido pelos dois líderes é dar maior representatividade às grandes economias emergentes nas instituições internacionais.

"Na reunião do G8, tentaremos convencer os demais países da necessidade de aproveitar esse momento de crise para fazermos as mudanças de que tanto precisamos", disse Sarkozy após um encontro de uma hora com Lula no Palácio do Eliseu.

A França vem apoiando a reforma do Conselho de Segurança da ONU e do Fundo Monetário Internacional para que os países emergentes tenham maior peso nessas instituições.

"Após a crise, nada deverá ser como antes", declarou Sarkozy, que afirmou ainda que "a França quer trabalhar de mãos dadas com o Brasil e criar uma força internacional ao serviço das mudanças" para melhorar a representatividade do sistema multilateral.

Segundo o líder francês, que assinou um artigo conjunto com Lula publicado nesta terça-feira no jornal francês Libération e na Folha de São Paulo, intitulado "Uma aliança para a mudança", existe uma "perfeita identidade de pontos de vista entre a França e o Brasil" sobre a necessidade de reforçar a governança global.

O presidente Lula afirmou que na reunião do G8 - o grupo de países mais ricos do mundo mais a Rússia - que começa nesta quarta-feira na Itália, o Brasil e a França terão uma atuação semelhante e "começarão a construir uma dinâmica" para que as decisões sobre a crise econômica, tomadas na reunião do G20 em abril, "não caiam no esquecimento".

"Queremos que o sistema financeiro seja fiscalizado, monitorado, e que os paraísos fiscais deixem de existir", afirmou Lula.

O presidente brasileiro disse esperar que na reunião do G8 "os nossos parceiros façam avançar um pouco nossa posição sobre as mudanças na governança mundial".

Sarkozy ficou satisfeito por receber, inesperadamente, o apoio de Lula a um polêmico projeto de lei que quer ampliar o trabalho aos domingos na França e que está sendo analisado pelo Parlamento.

O texto provocou divisões até mesmo no partido do presidente francês e é rejeitado pela maioria dos franceses, segundo pesquisas.

"Não esperava ter o apoio de Lula sobre essa questão", disse Sarkozy em entrevista aos jornalistas na sede da Presidência.

"Não posso imaginar uma cidade turística como Paris sem trabalho aos domingos. É muito importante envolver os trabalhadores nessa discussão, isso vai gerar mais empregos", afirmou Lula.

O presidente brasileiro, ao ser questionado sobre a crise no Senado do Brasil, negou que exista uma crise e disse que há apenas "uma divergência no Senado".

"Não existe crise, existem denúncias que devem ser apuradas", disse Lula.

O presidente brasileiro recebe nesta tarde na sede da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) o prêmio Félix Houphouët-Boigny, pela sua ação na promoção da paz e igualdade de direitos.

Logo após a entrega do prêmio, Lula embarcará para a Itália para participar da reunião de cúpula do G8 e do G8 +5, que terá a presença do Brasil, África do Sul, China, Índia, México, além do Egito.

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