Sarkozy é criticado por não dar licença-maternidade a ministra

Paris, 11 jan (EFE).- A política socialista Ségolène Royal acusou hoje o presidente da França, Nicolas Sarkozy, de um comportamento brutal e humilhante em relação ao retorno imediato ao trabalho da ministra da Justiça do país, Rachida Dati, que deu à luz há poucos dias.

EFE |

Royal falou em defesa de Dati, que teve uma filha em 2 de janeiro e que voltou a trabalhar cinco dias depois, numa entrevista publicada pelo "Journal du Dimanche", na qual pede "que deixem (a ministra) tranqüila".

A ex-candidata à Presidência da República pelo Partido Socialista (PS) afirma à publicação que o responsável pelo rápido retorno de Dati ao trabalho é Sarkozy.

"Seu comportamento brutal, provocador e humilhante dá testemunho de uma total falta de respeito", ataca Royal, que na entrevista chega a dizer que a atitude do presidente da República para com Dati merecie ser classificada como "assédio moral".

"Em vez de apoiar e oferecer segurança, (Sarkozy) a pressiona psicologicamente e a leva a um dilema corneliano. Dentro da Lei Trabalhista, isso se chama assédio moral", afirma Royal, que em 1992, quando era ministra do Meio Ambiente, teve seu quarto filho.

Royal lembra que ela, quando deu à luz, se reincorporou ao trabalho lentamente, depois de 15 dias. Além disso, reclama da "grande desigualdade entre homens e mulheres" na hora de se avaliar as baixas trabalhistas.

Na entrevista, a socialista diz que a ministra da Justiça, por pressão de Sarkozy, se "sentiu obrigada" a reaparecer publicamente imediatamente após o parto.

"O rancor contra ela é indecente e injusto", insiste a política, cujas declarações esquentam o debate sobre a maternidade de Dati, há dias sendo comentada pela imprensa francesa, que diz que a ministra já não conta mais com a simpatia de Sarkozy por conta de algumas decisões políticas.

    Leia tudo sobre: françasarkozy

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG