Sarkozy é criticado por ignorar direitos humanos na Tunísia

Por François Murphy PARIS (Reuters) - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, recebeu duras críticas nesta quarta-feira por não ter abordado a questão dos direitos humanos em uma visita à Tunísia, a mais recente das muitas viagens em que ele é acusado de preferir o dinheiro aos valores morais.

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Sarkozy chegou ao poder há um ano, prometendo colocar os direitos humanos no centro da política internacional francesa, mas suas negociações com países como a China e a Líbia, que lhe renderam numerosos acordos comerciais, levaram muitos a dizer que suas promessas eram vazias.

Na viagem de três dias à Tunísia, Sarkozy disse que o país fez progressos nos direitos humanos e que ele não teria de dar uma 'bronca'.

A Tunísia é o estado mais ocidentalizado da região do Magreb, no norte da África, mas grupos de defesa dos direitos humanos acusam seu governo de amordaçar a imprensa, prender seus oponentes e espancá-los. As autoridades negam as acusações.

'Em um ano, o ex-candidato diluiu suas visões. Depois de criticar (seu antecessor) Jacques Chirac, que preferia discutir direitos humanos longe das câmeras, agora se comporta da mesma maneira', disse o jornal francês Le Parisien, que é moderado tanto para defender quanto para criticar o presidente.

Durante a viagem de Sarkozy ao país mais rico do norte da África, a companhia aérea estatal Tunis Air assinou um contrato para comprar 19 aviões Airbus por mais de um bilhão de euros (1,56 bilhão de dólares). As viagens anteriores tiveram um padrão semelhante.

Quando foi à China, em novembro, Sarkozy supervisionou a assinatura de um pacto para vender 160 aviões Airbus e um acordo de 8 bilhões de euros da Areva, empresa francesa, para vender combustível e dois reatores nucleares.

Durante a campanha presidencial, Sarkozy dizia se opor à suspensão do embargo de armas da União Européia contra a China, porque Pequim não tinha avançado na questão dos direitos humanos.

Mas, ao visitar a China, sua equipe disse que ele agora concordava com Chirac, para quem deveria terminar o embargo imposto depois da repressão chinesa a estudantes na Praça da Paz Celestial, em 1989.

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