Sarkozy diz que UE e Otan só estão abertas a países com mesmos valores

Munique (Alemanha), 7 fev (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, advertiu hoje, em Munique, que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia (UE) só podem estar abertas a países dispostos a compartilhar valores e obrigações, e pediu calma em relação à Rússia, à qual não vê como ameaça.

EFE |

Em seu discurso na conferência sobre segurança realizada em Munique, Sarkozy ressaltou que a União Europeia e a Otan não são casas com "portas abertas a qualquer um que veja luz dentro, mas só a aqueles que estejam dispostos a compartilhar valores e obrigações".

Sarkozy disse isso com vistas à Ucrânia e à Geórgia, cuja candidatura à Otan não quis, apesar disso, colocar em dúvida.

Segundo ele, a UE e a Otan são alianças importantes demais para o mundo para enfraquecer as regras que as regem.

"Fala-se demais dos direitos e não das obrigações" obtidas ao entrar nas instituições, acrescentou.

O presidente francês minimizou a importância das tensões surgidas nas relações com a Rússia, após a crise da Geórgia e do gás.

"Acho que, atualmente, a Rússia não é uma ameaça para a UE ou a Otan. A Rússia tem muitos conflitos internos para representar uma ameaça", ressaltou.

Segundo o chefe de Estado francês, o importante é gerar nova confiança e abandonar a dialética da ameaça.

"É preciso abandonar as estratégias que só deixam perdedores", sustentou.

Sarkozy propôs que a UE estabeleça com a Rússia um "espaço comum das pessoas e da economia", e relações de confiança como as alcançadas por antigos inimigos, como França e Alemanha.

O presidente francês defendeu uma UE forte, pois só se é forte se pode alcançar a paz, "e é preciso decidir se a UE quer a paz ou que a deixem em paz".

Também ressaltou que isso não significa que a Europa queira entrar em concorrência com a Otan, mas pelo contrário, pois, acrescentou, a experiência mostrou que "foi um erro pensar que ao se fortalecer, se enfraquece outros".

Sarkozy se proclamou defensor das duas instituições e, em direção às tradicionais reservas em seu país, ressaltou que "apoiar uma aliança com os Estados Unidos e a Europa não coloca em dúvida a independência de um país, mas a reforça". EFE ih/an

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