Sarkozy diz que UE e Brasil podem levar propostas conjuntas à cúpula do G20

Rio de Janeiro, 22 dez (EFE) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou hoje que a União Européia (UE) está interessada em levar propostas conjuntas com o Brasil à Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes), que será realizada em abril, em Londres. O objetivo é definir medidas contra a crise financeira. A Europa quer atuar ao lado do Brasil. Para a próxima reunião do G20, seria bom que levássemos propostas conjuntas, disse o chefe de Estado da França no discurso que pronunciou hoje no Rio de Janeiro ao encerrar o 2º Encontro Empresarial Brasil-União Européia.

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A reunião é uma atividade paralela da 2ª Cúpula Brasil-União Européia, que reúne Sarkozy com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com o líder da Comissão Européia (CE, braço Executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.

Sarkozy afirmou que veio ao Rio de Janeiro como presidente semestral da UE para anunciar que o bloco quer trabalhar junto com o Brasil tanto na definição de medidas para superar a crise como para combater a mudança climática e para levar em frente a Rodada de Desenvolvimento de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"A Europa quer uma associação estratégica com o Brasil. Como presidente da UE, vim dizer que a Europa confia no Brasil e no crescimento do Brasil, e que queremos atuar juntos", afirmou Sarkozy.

Ele se referia à associação estipulada por ambas as partes em 2007 em Lisboa e que hoje será reforçada com um plano de ação no Rio de Janeiro.

O presidente francês afirmou que, apesar de os Estados Unidos serem um grande aliado da Europa, a UE tem políticas próprias e lutou para que os países emergentes como o Brasil fossem incluídos na reunião realizada em novembro pelo presidente americano, George W. Bush, para analisar a crise financeira.

"Se lutamos tanto pelo G20, foi para que grandes países como o Brasil pudessem opinar. A Europa não pode levar só a mensagem em favor das mudanças", disse.

O G20 reúne as maiores economias do mundo, entre desenvolvidas e em desenvolvimento.

Sarkozy disse coincidir com Lula em que perante a crise chegou "a hora da política" e que o Estado recupere o protagonismo.

"Por isso, na Europa o que foi feito para combater a crise foi aumentar os investimentos do Estado, a construção de infra-estruturas, a proibição do protecionismo e a negociação de alianças", afirmou.

Falando como presidente da França, e não como líder semestral da UE, ele defendeu a inclusão do Brasil não só no G20, mas também como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e em outras instâncias.

"Precisamos de Lula e do Brasil como membros do Conselho de Segurança, para preservar o ambiente planetário, para garantir a paz e a segurança, e para controlar os fluxos financeiros", disse.

Sarkozy destacou que se a Europa adotou recentemente uma diretriz contra a mudança climática bastante rigorosa foi porque tinha que dar exemplo aos países asiáticos e aos Estados Unidos.

Ele também ofereceu o total apoio da França e da Europa aos esforços do Brasil para preservar a Amazônia.

Quanto às críticas brasileiras ao protecionismo europeu sobre os produtos agrícolas, Sarkozy assegurou que as exportações do campo brasileiro à Europa triplicaram nos últimos anos e que a União Européia também quer "exportar serviços e produtos industriais ao Brasil".

Por sua parte, Durão Barroso disse em seu discurso que o Brasil e a UE, que já trabalharam juntos na cúpula de Washington e agora farão também na promoção dos biocombustíveis, podem "dar grandes contribuições nas discussões sobre a crise financeira". EFE cm/db

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