Sarkozy diz que não negociará criação de novo tratado europeu

Estrasburgo (França), 10 jul (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou hoje que a União Européia (UE) não negociará um novo acordo para superar a crise desatada após o não da Irlanda ao Tratado de Lisboa, e adiantou que proporá uma solução até o final do ano, após consultar Dublin.

EFE |

Sarkozy apresentou ao Parlamento Europeu as prioridades da Presidência temporária da França, recebidas positivamente - inclusive com aplausos ao término de seu primeiro discurso - pelos eurodeputados.

As principais críticas, procedentes dos grupos da esquerda do plenário, se centraram na suposta falta de ambição do Palácio do Eliseu no âmbito das políticas sociais em escala européia.

No entanto, o debate manteve um tom ameno na sua maior parte, na qual Sarkozy se permitiu brincadeiras sobre vários temas, inclusive sobre o novo disco de sua mulher, Carla Bruni.

A crise institucional da UE após a rejeição do Tratado de Lisboa pela Irlanda, que atrapalhou os planos da França para sua Presidência semestral, foi o tema escolhido por Sarkozy para abrir seu discurso.

"Não haverá novo Tratado; ou é Lisboa ou é Nice", afirmou o presidente francês, que confirmou que sua primeira viagem ao exterior como presidente do Conselho Europeu será a Dublin, "para escutar, dialogar e tentar encontrar uma solução".

Sua intenção é propor "uma solução de comum acordo com o Governo irlandês em outubro ou em dezembro", explicou.

A maior parte dos grupos políticos do Parlamento Europeu recebeu favoravelmente essa vontade, que "é necessária para superar todas as dificuldades da construção européia e a mais profunda delas, o 'não' da Irlanda", disse o presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Joseph Daul.

"Temos que tentar fazer valer o novo Tratado", destacou o presidente do Grupo Socialista no Parlamento Europeu (PSE), que elogiou a viagem a Dublin planejada por Sarkozy, mas pediu para que "deixe em Paris" o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, cujas intervenções "não ajudaram em nada a convencer os irlandeses".

Sobre a ratificação do texto, Sarkozy solicitou que o processo continue adiante, e pediu àqueles que se mostraram contrários, como o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, para que "cumpram sua palavra" e aprovem o Tratado de Lisboa.

O chefe de Estado francês também voltou a advertir que a UE não deve cometer "o mesmo erro" de 2004, quando decidiu acolher os países da Europa central sem antes acertar a reforma das instituições comuns.

Sarkozy explicou aos eurodeputados os grandes temas de sua Presidência - principalmente clima e energia, defesa comum e reforma agrária - em um debate que se prolongou por mais de três horas e no qual respondeu a praticamente todas as perguntas dos parlamentares.

No âmbito da luta contra a mudança climática, Sarkozy pediu um acordo rápido para poder pressionar países como China e Índia nas negociações internacionais para reduzir as emissões de gases poluentes além de 2012.

Diante dos pedidos de medidas mais ambiciosas por parte de alguns grupos e sua preocupação de que as metas possam ser reduzidas pela pressão da indústria, Sarkozy afirmou que a UE não se "ajoelhará perante ninguém", mas lembrou que é necessário garantir que as ações ambientais não façam com que as empresas deixem a Europa.

As críticas a Sarkozy foram mais direcionadas à política social, por parte de Schulz, e por sua decisão de ir à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, chamada pelo presidente dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit, de "vergonhosa".

Em resposta, Sarkozy revelou que consultou todos os governantes europeus sobre esse assunto, e defendeu o diálogo com a China sobre a situação dos direitos humanos acima do boicote, que significaria "humilhar um quarto da população mundial".

Por outro lado, insistiu em seu direito a debater a política monetária do Banco Central Europeu (BCE), mas deixou claro que não questiona a independência da instituição.

"A independência do BCE não está em questão, mas sim se é razoável elevar a taxa de juros para 4,25% (ao ano) enquanto os americanos a têm em 2% (ao ano)", disse. EFE mvs/wr/gs

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