Paris, 24 abr (EFE) - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse hoje que ficou chocado com a repressão ocorrida no Tibete e falou isso ao chefe de Estado chinês, Hu Jintao.

Sarkozy prometeu também buscar um consenso com seus colegas da União Européia (UE) sobre seu eventual comparecimento à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

"Não aceitei o que aconteceu no Tibete", em alusão à repressão das manifestações, "chocou-me o que ocorreu no Tibete e disse isso ao presidente da China", disse Sarkozy, em resposta a perguntas em entrevista exibida pela televisão.

Ao mesmo tempo, ressaltou a importância da China, da qual lembrou que "ajuda ao mundo" perante a crise de Darfur e "ajuda ao mundo que tenta impedir que o Irã obtenha armamentos nucleares".

"Não quero que a China fique à margem da humanidade", disse.

Esta semana, Sarkozy multiplicou as iniciativas para reduzir a tensão com a China sobre o Tibete e sobre a tumultuada passagem da tocha olímpica de Pequim por Paris, marcada por protestos contra a repressão no Tibete e pelas violações dos direitos humanos na China.

"Tentamos criar as condições de um diálogo" entre as autoridades chinesas e o dalai lama, explicou Sarkozy.

Ele alegou que "é preciso que haja mais autonomia para a província do Tibete, que se faça um gesto para as autoridades chinesas", e que estas demonstrem em relação ao Tibete "o mesmo pragmatismo" que mostraram para Hong Kong.

Sarkozy, que após os eventos no Tibete não tinha excluído a possibilidade de não comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto, afirmou hoje que não tomou uma decisão.

O presidente francês disse que restam "quatro meses" para conseguir um diálogo entre China e o dalai lama e assinalou que aguardará para conhecer a opinião de seus colegas da União Européia sobre a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

"Não digo o que farei para a cerimônia dos Jogos Olímpicos por duas razões: porque quero dar todas as possibilidades para que se inicie o diálogo" entre China e o dalai lama, e "porque no momento dos Jogos, a França presidirá a União Européia", disse.

Sarkozy argumentou que os 27 países da UE terão que concordar uma posição comum.

Ao ser lembrado que a chanceler alemã, por exemplo, já disse que não irá a Pequim, Sarkozy prometeu fazer "todo" o possível para que haja uma posição comum na UE.

Após dizer que o papel do presidente de turno do bloco é tentar criar o consenso em torno de si, disse que seria melhor que sobre este assunto "a Europa se manifeste com uma só voz".

A perguntas sobre a decisão do Consistório de Paris de nomear "cidadão de honra" o dalai lama, Sarkozy disse que o prefeito da capital, o socialista Bertrand Delanoë, não tinha pedido sua opinião.

O presidente disse que tenta "criar as condições de um diálogo sincero para encontrar uma solução" sobre o Tibete e para isso é preciso que haja "menos feridas possíveis ao amor próprio".

A homenagem feita ao líder espiritual do Tibete pela Prefeitura de Paris gerou reações iradas na China, onde a tumultuada passagem da tocha olímpica pela França já tinha gerado apelos ao boicote de produtos franceses. EFE al/db

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