Presidente francês rechaça críticas e promete continuar com destruição de acampamentos e deportação de ciganos

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, rechaçou os comentários feitos pela comissionária de Justiça da União Europeia, que criticou as deportações de ciganos ordenadas pelo Estado francês, classificando-os de vergonhosos e ofensivos.

Na terça-feira, a comissária Viviane Reding condenou as medidas da França em relação aos ciganos e comparou-as a perseguições na época em que a França era ocupada pelos nazistas.

Presidente francês, Nicolas Sarkozy (à esq.), fala com o presidente da Romênia, Traian Basescu, durante encontro da União Europeia em Bruxelas, Bélgica
AP
Presidente francês, Nicolas Sarkozy (à esq.), fala com o presidente da Romênia, Traian Basescu, durante encontro da União Europeia em Bruxelas, Bélgica
Diante dos comentários, Sarkozy se disse “profundamente chocado ao ver alguém falar dessa maneira, e fazer simplificações que machucaram e chocaram meus cidadãos compatriotas”. Ele acrescentou ainda que a França continuará a desmantelar os acampamentos ciganos, assim como seguirá com as deportações.

No total, disse Sarkozy, foram destruídos 199 assentamentos ciganos, onde vivem cerca de 5.400 pessoas. “Sou o presidente francês e não posso permitir que meu país seja insultado”, rebateu Sarkozy durante um encontro da união Europeia em Bruxelas, na Bélgica, nesta quinta-feira.

Na terça-feira, Viviane, que representa Luxemburgo na Comissão Europeia, disse que a "situação que pensara para a Europa não era a de existirem vítimas depois da Segunda Guerra Mundial”. Ela pediu  que a Comissão Europeia tomasse uma atitude legal contra a França em relação às deportações.

"A discriminação por etnia ou raça não tem lugar na Europa, é incompatível com os valores da UE", proclamou na terça-feira Viviane, em declaração à imprensa. "Se não podemos confiar nas garantias dadas por dois ministros em reunião formal, o papel da comissão torna-se muito difícil",disse.

Segundo Viviane, a França aplicou de forma discriminatória a diretiva europeia de liberdade de circulação de cidadãos comunitários e, além disso, não aplicou em seu direito nacional todas as garantias incluídas pela legislação da UE. "Estou pessoalmente convencida de que a comissão não terá outra opção senão iniciar um procedimento de infração contra a França", indicou.

A Comissão Europeia anunciou que abriria um procedimento de infração contra a França por discriminação, após constatar que o Paris instruiu a polícia para que centrasse as atenções especificamente na minoria dos ciganos.

Aceleração

Apesar de a França ter deportado milhares de ciganos búlgaros e romenos nos últimos anos, o Estado francês começou a acelerar o processo no mês passado, com o intuito de dar fim aos acampamentos ilegais no país.

Na semana passada, membros do Parlamento Europeu acusaram a comissão de falharem na proteção dos ciganos deportados da França.

*Com BBC e EFE

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