indispensável de soldados franceses no Afeganistão - Mundo - iG" /

Sarkozy destaca trabalho indispensável de soldados franceses no Afeganistão

Cabul, 20 ago (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, destacou hoje a missão indispensável que as tropas de seu país realizam no Afeganistão e lhes pediu que levantem a cabeça após o duro golpe sofrido esta semana, quando uma emboscada feita por talibãs matou dez efetivos franceses.

EFE |

O chefe de Estado francês chegou a Cabul para levantar o moral das tropas, que sofreram o pior ataque de toda sua missão no Afeganistão como parte da Força de Assistência para a Segurança (Isaf).

"Por que estamos aqui? Porque aqui está em jogo uma parte da liberdade do mundo. Aqui é livrado o combate contra o terrorismo", disse o presidente francês, em discurso aos soldados.

Após sua chegada a Cabul no começo da manhã, Sarkozy foi ao funeral montado no no acampamento Warehouse da Isaf, ao leste de Cabul, para prestar homenagem aos dez soldados franceses que morreram na emboscada.

Depois, visitou no hospital da mesma instalação os dez feridos continuam internados, após a transferência a Paris de onze vítimas com ferimentos.

Sarkozy falou com soldados da unidade atacada, além de ter se reunido com o comandante da Isaf na região de Cabul, o general francês Michel Stollsteiner, e com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, antes de deixar o país.

"O trabalho que fazem aqui é indispensável", disse o presidente aos soldados, cujo "luto" compartilhou e aos quais transferiu a comoção de "todos os franceses" pelo golpe sofrido no Afeganistão.

No entanto, Sarkozy também reiterou a determinação de seu país de continuar no Afeganistão.

"Este ato covarde não só não terá nenhum efeito em nossa cooperação com o Afeganistão, mas fortalecerá nossa determinação na luta contra o terrorismo", disse o presidente francês, segundo o comunicado divulgado à imprensa pela Presidência afegã.

Karzai expressou a Sarkozy suas condolências, segundo o comunicado.

Sarkozy lembrou o envio de reforços ao Afeganistão, 700 homens que serão destacados na província de Kapisa, em um distrito próximo ao da emboscada desta semana, segundo uma fonte militar consultada pela Agência Efe.

O reforço foi enviado a pedido dos Estados Unidos, que reivindicaram maior contribuição de seus aliados no conflito afegão, em um ano em que a insurgência talibã demonstrou sua capacidade de agir além da parte sudeste do país.

A emboscada contra as tropas francesas, acompanhadas de soldados afegãos e americanos durante uma missão de reconhecimento, ocorreu na segunda-feira à noite no distrito de Surobi, cerca de 60 quilômetros ao leste de Cabul, local até agora considerado "seguro".

Na emboscada, lançada por cerca de cem insurgentes, morreram nove soldados franceses. Houve depois um duro combate que durou até o dia seguinte, quando morreu o décimo soldado. Os corpos das vítimas fatais serão repatriados hoje para a França.

O combate deixou 21 efetivos franceses feridos e, segundo o Ministério da Defesa afegão, pelo menos 13 talibãs morreram e 14 tiveram ferimentos.

Na França, o jornal "Le Monde" publica hoje que soldados franceses feridos na emboscada denunciaram erros militares na operação.

Segundo soldados feridos contatados pelo jornal na capital afegã, o número de vítimas na emboscada se explicaria, em particular, pela "lentidão da reação do comando e sérios problemas de coordenação".

A unidade de reconhecimento encarregada de avançar a pé até o porto de montanha, onde caiu na emboscada, ficou sob o fogo inimigo "durante quase quatro horas, sem (receber) reforços", disseram.

Além disso, os ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que deviam permitir aos soldados sair da emboscada erraram o tiro e atingiram militares franceses, que também receberam disparos de soldados afegãos situados mais abaixo.

Os feridos denunciam também que não estava prevista de antemão uma força de reação rápida para uma missão deste tipo.

Sobre as informações do jornal, o chefe do Estado-Maior do Exército francês, Elrick Irastorza, disse que cada vez que há incidentes deste tipo analisam "o que aconteceu".

O secretário de Estado da Defesa francês, Jean-Marie Bockel, que acompanhava o general, disse que não é momento de polêmica, mas o da "compaixão e união nacional" em torno dos soldados.

Também na segunda e na terça-feira, os insurgentes lançaram vários ataques suicidas contra uma base americana da Isaf na província oriental de Khost, nos quais morreram pelo menos 12 civis.

Hoje, houve combates em Khost, onde um grupo de insurgentes atacou trabalhadores de uma companhia construtora e feriu um guarda de segurança.

Tropas afegãs e americanas foram à área e mataram dez talibãs, disse à Efe o chefe da Polícia provincial. Em comunicado, a Isaf informou depois que houve cerca de dez insurgentes mortos no enfrentamento.

Além disso, nove insurgentes - entre eles vários estrangeiros - morreram e mais de dez ficaram feridos em um bombardeio americano registrado na província de Paktika, disse o chefe da Polícia provincial.

Também hoje, um soldado da coalizão que os EUA comandam no Afeganistão - e que opera à margem da Isaf - morreu após o ataque a uma patrulha no oeste afegão, informou o comando americano, sem dar mais detalhes. EFE lo/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG