Paris, 7 jan (EFE).- O Poder Judiciário reagiu hoje com protestos à proposta do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de eliminar a figura dos juízes de instrução, encarregados de dirigir as investigações dos casos mais graves, como acontece atualmente.

O juiz de instrução "não pode ser o árbitro" e, embora controle o desenvolvimento das investigações, não deveria dirigi-las, disse hoje o presidente francês em seu discurso de abertura do ano judiciária.

"Não é aceitável manter a confusão entre os poderes de investigação e os poderes jurisdicionais do juiz de instrução", afirmou Sarkozy.

Segundo ele, um magistrado que esteja a cargo de uma investigação não pode garantir, ao mesmo tempo, os direitos das pessoas processadas.

Seus argumentos não convenceram os juízes de instrução, assim como também não foram bem recebidos por diversos advogados e secretários judiciais, que hoje mesmo se concentraram nas proximidades do Palácio de Justiça para expressar sua rejeição à proposta presidencial.

Sarkozy também defendeu mudanças nas prisões provisórias que, segundo ele, deveriam ser adotadas por uma "audiência colegiada pública", em vez dos atuais magistrados de liberdades e detenção.

Em seu discurso, o presidente anunciou, além disso, sua intenção de descriminar a difamação. EFE pi/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.