Sarkozy defende retorno da França à estrutura militar da Otan

Paris, 17 jun (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu hoje sua vontade de que a França volte ao comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) caso o projeto sobre a construção da Europa da Defesa avance, com o argumento de que a Europa ganharia mais importância.

EFE |

O chefe de Estado também garantiu que a França não colocará suas forças sob o comando da Otan em tempos de paz e que sua dissuasão nuclear continuará sendo "estritamente nacional".

Há dois meses, na cúpula da Otan em Bucareste (Romênia), Sarkozy anunciou seu plano para que a França fosse reintegrada ao comando militar integrado da Otan no próximo ano com a condição de que a construção da Europa da Defesa também avançasse.

Em 1966, o então presidente francês, Charles de Gaulle, retirou seu país das estruturas militares da Aliança por causa das diferenças com Washington.

A Otan é "a aliança entre os europeus e os Estados Unidos, mas também é, embora não se diga muito, um tratado de aliança entre as próprias nações européias", afirmou Sarkozy ao apresentar as novas orientações de defesa e segurança nacional da França diante dos desafios e ameaças do século XXI.

Após lembrar que quase todos os membros da França na União Européia (UE) são também membros da Aliança Atlântica, disse que a situação deste país "fora do comando militar" alimenta "uma desconfiança sobre o objeto da ambição na Europa", especialmente entre os Estados orientais do continente.

Com o retorno da França à estrutura militar integrada da Otan, a Aliança daria "um maior lugar à Europa", afirmou Sarkozy.

Ele acrescentou que a comissão sobre a defesa e a segurança nacional, na qual baseia sua reforma das forças armadas para enfrentar as novas ameaças do mundo globalizado, chegou à conclusão de que "nada se opõe" a que a França participe das estruturas militares da Otan.

A "França é um aliado independente, um parceiro livre. Os princípios fixados pelo general de Gaulle também valem para mim", declarou o chefe de Estado.

Ou seja, a França conservará o tempo todo uma liberdade de apreciação total sobre o envio de suas tropas a operações e "não colocará nenhum contingente militar sob o comando da Otan em tempos de paz", afirmou.

Além disso, "a dissuasão nuclear da França continuará sendo estritamente nacional, mesmo quando a própria existência de nossa dissuasão for uma contribuição para a segurança de toda a Europa", declarou.

Acrescentou que "sobre a base destes princípios que cada um na Aliança respeita, compreende e reconhece", a França poderá "renovar" sua relação com a Otan "sem temor" de sua independência e "sem risco" de se ver arrastada para uma guerra contra a sua vontade. EFE ao/fh/fal

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