Sarkozy defende na Tunísia relação sem fanatismo entre árabes e Ocidente

Túnis, 30 abr (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, elogiou hoje a convivência entre as religiões existente na Tunísia e defendeu uma relação sem ódio, incompreensão nem fanatismos entre os muçulmanos e o Ocidente.

EFE |

No último dos discursos pronunciados durante sua visita à Tunísia, Sarkozy reiterou aos professores e estudantes do Instituto de Ciências Aplicadas a importância de seu projeto de União para o Mediterrâneo, também assumido pela União Européia (UE).

"A unidade entre povos das duas margens do Mediterrâneo não será feita com novas Cruzadas, atos de força e de dominação, mas com respeito, compreensão e solidariedade entre todos", declarou.

O presidente francês se mostrou crítico quanto ao processo de cooperação euro-mediterrânea aberto em Barcelona em novembro de 1995, sobre o qual disse que "adoeceu do defeito de ter sido uma obra exclusiva do Norte".

"Barcelona representou o instante em que a Europa se deu conta que seu futuro deve vir do Sul e isto foi um ótimo reconhecimento, mas não funcionou pelo fato de suas perspectivas terem vindo, antes de tudo, do Norte e, embora me incomode dizê-lo, não constituiu uma associação entre os povos", disse.

Logo depois, Sarkozy afirmou que estas foram as razões que o levaram a apresentar seu próprio projeto mediterrâneo "em termos de igualdade e para assumir juntos nossa parte do destino".

"O defendo como um projeto de geometria variável", e acrescentou que, "ao contrário de Barcelona, será um entrecruzamento de igualdade entre o Norte e o Sul".

O chefe de Estado francês lembrou que a União para o Mediterrâneo será formalizada em 13 de julho em Paris e disse que espera que todos os participantes elaborem projetos concretos, que, segundo ele, poderiam se referir à divisão da água, à poluição, às energias solar e nuclear e à proteção do litoral e civil.

Sarkozy enfatizou mais tarde que a Tunísia é um país tolerante, mas não mencionou os direitos humanos, advertindo que "este país é um exemplo para todos aqueles que são ameaçados pelo fanatismo e pelo extremismo".

"A civilização e a liberdade se merecem, pois é um combate que dura toda a vida, e vim aqui para dizer que a França estará ao lado da Tunísia no marco da tolerância. O êxito nesta tarefa significará dizer que evitamos o choque de civilizações e a guerra religiosa", concluiu. EFE mo/wr/fal

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