Sarkozy defende fundos soberanos para enfrentar crise

O presidente francês Nicolas Sarkozy, atual presidente da União Européia, defendeu que os países do bloco criem fundos soberanos para investir em empresas que possam ser afetadas pela crise econômica. Em um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, Sarkozy afirmou que não quer que os europeus acordem daqui alguns meses e descubram que empresas foram compradas por investidores estrangeiros por preços baixos.

BBC Brasil |

Ele afirmou que quer assegurar que a Europa continue produzindo barcos, aviões e carros.

O líder francês também pediu mais ações coordenadas do bloco para combater a crise.

"Os líderes dos 15 países da zona do euro devem coordenar suas ações com o Banco Central Europeu", disse.

Ele ainda citou a aprovação pelo Congresso do Estados Unidos de um empréstimo de US$ 25 bilhões à indústria automobilística no mês passado e perguntou aos parlamentares: "Nós podemos deixar a indústria automobilística européia em uma situação de grave distorção competitiva em relação aos americanos?".

"A Europa precisa de uma resposta única, não podemos ser ingênuos em relação às outras partes do mundo", disse.

Recessão leve
As declarações de Sarkozy foram feitas pouco depois de o FMI (Fundo Monetário Internacional) ter divulgado um relatório em que indica que a Europa caminha para uma "recessão leve" nos próximos meses por causa da crise financeira global, mas deve começar a se recuperar na segunda metade de 2009.

De acordo com o documento divulgado nesta terça-feira, o crescimento do PIB dos países que adotam o euro como moeda oficial deve ficar em 1,3% neste ano e cair para 0,2% em 2009. Em 2007, o crescimento foi de 2,6%.

Entre os países da zona do euro, a análise prevê um crescimento mais lento na Alemanha e na França e uma possível recessão ainda neste ano na Itália e na Irlanda.

Os 15 países da zona do euro concordaram no início do mês em um grande plano de auxílio para as instituições financeiras ameaçadas pela crise internacional.

Mesmo assim, Sarkozy lamentou que a Europa " não tenha uma governança econômica digna deste nome".

"Não é possível que a zona do euro continue sem uma governança econômica clara", afirmou.

O presidente francês está preparando um encontro das maiores economias do mundo para discutir medidas contra a crise em novembro. A cúpula deve contar também com a participação de países emergentes, como o Brasil.

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