Sarkozy defende Brasil no Conselho de Segurança da ONU

RIO DE JANEIRO - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu na tarde desta segunda-feira a entrada do Brasil no Conselho Permanente de Segurança das Nações Unidas (ONU). Sarkozy participou do 2º Encontro Empresarial Brasil-UE, no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, em sua última viagem oficial como líder da União Européia.

Daniel Gonçalves, do Último Segundo |

"Sou sincero quando digo que precisamos de Lula no Conselho Mundial. Alguns líderes europeus não querem, não concordam, mas precisamos do presidente Lula no Conselho Permanente de Segurança da ONU como líder na questão ambiental", afirmou o presidente francês.

Durante o encontro sobre a cooperação entre Brasil e União Européia (UE) em diferentes áreas, incluindo a assessoria na área de defesa para a construção de submarinos, Sarkozy falou também sobre subsídios agrícolas. "Sei que os amigos brasileiros estão preocupados com a agricultura, mas a importação de produtos brasileiros na Europa multiplicou por três", lembrou.

Sobre a crise, o presidente francês afirmou que as dificuldades financeiras deste ano representaram a entrada do mundo no século 21 e que os países devem se unir para buscar novos paradigmas, não apenas na questão econômica, mas também na política.

Para finalizar seu discurso, Sarkozy fez elogios. "O Brasil não é uma potência de amanhã. O Brasil é uma potência de hoje. Todos os países da Europa amam o Brasil, mas a França vai demonstrar que ama e respeita o Brasil".

Sarkozy e sua esposa, Carla Bruni, chegam ao hotel Copacana Palace

Durante a visita, Sarkozy e o presidente Lula adotarão o Plano de Ação da Parceria Estratégica, lançado em 2005, disse o Ministério das Relações Exteriores em comunicado. Esse documento será a base para o diálogo e a cooperação bilateral nos próximos anos, segundo o Governo brasileiro.

Lula fala sobre crise

No mesmo encontro, o presidente Lula afirmou que o governo brasileiro trabalhará para que a economia nacional cresça na casa dos 4% no ano que vem, apesar de estimativas do mercado apontarem uma alta ao redor de 2,5% a 3%.

"Enfrentamos crises procurando novos paradigmas, porque se enfrentarmos essa crise com os paradigmas monetários que a criaram, não vamos resolvê-la no curto prazo", disse o presidente. Lula disse que não defende a idéia de um Estado investidor, que "se intrometa na economia, fazendo papel de administração de Empresas, mas está provado que o Estado sozinho não resolve o problema de nenhuma nação".

Lula voltou a culpar a especulação financeira "desavergonhada" pela turbulência internacional e respondeu às críticas dos que o acusam de ser excessivamente otimista sobre a situação econômica brasileira. Segundo ele, os incentivos ao consumo acontecem porque essa é a única solução para reverter o atual quadro. "Todos nós sabemos que o petróleo nunca valeu US$ 150 o barril. Sabemos que os produtos alimentares não podiam ter subido como subiram entre maio e junho passado", acrescentou.

"Sou um otimista. As pessoas acham que eu deveria ir para a televisão chorar, dizer que a crise acabou com o País, mas eu sou o maior estimulador da retomada econômica", disse o presidente. "Faço mais propaganda do que muitos empresários, que deveriam fazer essas propagandas em relação a seus produtos", completou Lula.

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