Sarkozy culpa Mandelson por rejeição de tratado na Irlanda

Por François Murphy BRUXELAS, Bélgica (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, voltou a criticar Peter Mandelson, comissário do Comércio da União Européia (UE), afirmando na sexta-feira que o britânico era em parte responsável pelo fato de os irlandeses terem rejeitado o Tratado de Lisboa, elaborado para reformar o bloco.

Reuters |

Sarkozy critica há tempos Mandelson, acusando-o de fazer concessões demais em questões agrícolas durante a rodada de negociações de Doha.

Em um cúpula da UE, o presidente francês desferiu um novo golpe, afirmando que o comissário havia deixado os agricultores irlandeses furiosos com a estratégia adotada nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Questionado sobre se José Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia (Poder Executivo da UE), seria o responsável pelo resultado da votação na Irlanda, Sarkozy respondeu: 'O debate irlandês girou em torno de questões como o aborto, a eutanásia, os impostos, a OMC, a agricultura. Não podemos culpar o senhor Barroso. Deveríamos escolher outra pessoa.

Mandelson, por exemplo.'

A rejeição do Tratado de Lisboa atirou o bloco em uma crise.

Cerca de 10 mil agricultores irlandeses realizaram uma passeata em Dublin, em abril, contra os planos de Mandelson de baixar os impostos de importação que incidem sobre a carne, os laticínios e outros produtos do tipo como parte da oferta da UE para a OMC.

Antes do referendo da semana passada, no entanto, os líderes do setor agrícola da Irlanda deixaram de fazer campanha pelo 'não' ao ouvirem a promessa de que o governo não aceitaria um acordo capaz de prejudicar os interesses do país.

Nesta semana, Mandelson disse à Reuters que o pleito irlandês não tinha relação com ele e que mostrava a necessidade de a UE partir para a ofensiva, defendendo suas medidas de forma mais enérgica.

Segundo o comissário, os que fizeram campanha contra o Tratado de Lisboa 'apresentaram alegações totalmente falaciosas' sobre o impacto do documento na neutralidade irlandesa e em questões como o aborto. A campanha em defesa do projeto, disse Mandelson, não teria conseguido rebater aquelas alegações.

O Tratado de Lisboa nasceu após anos de discussões para dar à UE uma liderança mais forte, mas levantou dúvidas em alguns países sobre a perda de poder dentro do bloco.

Sarkozy repetiu sua oposição ao tipo de acordo que vem sendo discutido nas negociações da OMC.

'Se desejamos aprofundar a crise irlandesa, basta que continuemos com esse desequilibrado acordo da OMC. Isso é realmente contraprodutivo', afirmou.

'A cada 30 segundos, uma criança morre de fome. E nós deveríamos negociar, dentro da OMC, um acordo para cortar em 20 por cento a produção agrícola da Europa? Honestamente, há apenas uma pessoa que defende essa opinião -- o senhor Mandelson.'

Em vista dos esforços feitos pelos países em desenvolvimento para que os países ricos diminuam suas barreiras protecionistas no setor agrícola, o assunto é um dos que ocupam o centro das negociações da OMC, as quais visam elaborar um novo pacto mundial do comércio antes de um novo presidente tomar posse nos EUA, em janeiro.

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