Sarkozy critica métodos de negociação da ONU sobre aquecimento global

O presidente francês Nicolas Sarkozy considerou nesta quinta-feira que é indispensável que a ONU mude seus métodos de negociação, assegurando com ironia que na Conferência de Copenhague de dezembro os negociadores elaboraram um texto incompreensível.

AFP |

O texto de Copenhague "se parece com o volapuk", afirmou Sarkozy referindo-se a uma linguagem inventada no final do século XIX por um sacerdote alemão. Essa expressão é utilizada para designar um jargão incompreensível.

"Os métodos de trabalho devem mudar", insistiu o presidente francês em Paris na abertura de uma conferência internacional sobre a luta contra o deflorestamento, responsável por 20% das emissões mundiais de gases do efeito estufa.

"Certamente o procedimento das Nações Unidas (corresponde) à unanimidade, e não o questiono. Mas é necessário diferenciar entre o momento em que se vota um texto e o momento em que é preparado", considerou Sarkozy.

Em sua opinião "é fictício pensar que 199 países e seus representantes podem negociar um texto. É uma loucura e nunca conseguiremos!", disse a delegados de cerca de 60 países, incluindo aqueles que abrigam grandes áreas florestais na África, na América Latina e na Ásia.

"Do contrário, toda hora vamos ficar como em Copenhague: com um texto que se parece com o volapuk".

"Tirando os agradecimentos do início e as saudações do final, nada fazia parte de um acordo", acrescentou, referindo-se à reunião realizada em dezembro na capital dinamarquesa.

Sarkozy defendeu o trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que reúne cerca de 3.000 especialistas.

"As críticas formuladas recentemente contra alguns dos trabalhos dessa formidável rede mundial de cientistas não devem fazer com que esqueçamos o essencial: o aquecimento global é uma realidade", indicou o mandatário francês.

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