Sarkozy critica inércia da imprensa na luta contra crise

Paris, 2 out (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, criticou hoje abertamente o que chamou de inércia dos meios de comunicação para sair da atual crise que enfrentam em seu país, e atacou o jornalismo gratuito, o qual responsabilizou pela morte da imprensa escrita.

EFE |

Em discurso no Palácio do Eliseu, o presidente francês fez uma chamada para que se examine a "eficácia das ajudas públicas" ao setor, que cifrou em 10% do faturamento, com a intenção de verificar se "os objetivos fixados" após a Segunda Guerra Mundial estão sendo cumpridos.

"Trata-se de chegar a um acordo" sobre algumas "mudanças para pôr em prática em seguida, para que a imprensa escrita francesa saia das dificuldades inaceitáveis que passa há 30 anos e que" se agravarão se não fizermos nada, afirmou o presidente francês.

Sarkozy disse que assim se abre um processo de "discussão franca" que deve resultar em "decisões ambiciosas" e "compartilhadas", sobre o que um primeiro balanço será feito dentro de dez meses.

Desenhando as grandes linhas da revisão que quer realizar no setor da imprensa escrita francesa, Sarkozy afirmou que "os meios de comunicação devme ser rentáveis, o melhor meio para que seja independente".

O chefe de Estado francês repassou a perda de difusão dos jornais e das receitas publicitárias nos últimos dez anos e refletiu sobre a imprensa digital que, segundo ele, ainda não encontrou seu caminho.

Sarkozy ainda declarou que a imprensa gratuita "é uma miragem" e gera "a morte da imprensa escrita".

Paralelamente, Sarkozy anunciou a criação de quatro comissões para pensar na reestruturação do setor, à frente das quais estará Bernard Spitz, antigo conselheiro do ex-primeiro-ministro socialista Michel Rocard.

Estes quatro grupos de trabalho refletirão sobre o futuro do jornalismo, o processo industrial e a imprensa, os meios de comunicação digitais e as relações entre a imprensa e a sociedade.

Em janeiro, Sarkozy divulgou um projeto de reforma da televisão pública que prevê, em particular, a nomeação direta do presidente do organismo televisivo pelo Executivo e a supressão da publicidade.

Atualmente, é o Conselho Superior do Audiovisual (CSA) que decide quem ficará à frente do grupo público "France Télévisions". EFE jaf/ab/rr

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