PARIS (Reuters) - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, iniciou procedimentos legais contra os fabricantes de uma camiseta satírica que zombaram de sua reputação de defensor linha-dura da lei e da ordem, revelou no sábado o proprietário da empresa, Thierry Bouef. A empresa que fabrica a camiseta já está sendo processada por algumas grandes empresas, entre elas a Heineken e a Lacoste, devido aos slogans intransigentes das camisetas. Na sexta-feira, ela descobriu que os advogados do presidente tinham se unido à ação legal.

'É espantoso. Não consigo entender', disse Boeuf à rádio France Info.

'Há tantas outras coisas acontecendo neste país, e eu teria imaginado que há coisas melhores com que se preocupar que essas camisetas', ele acrescentou.

A camiseta que irritou o presidente traz o nome de Sarkozy escrito em letras garrafais no peito, com um alvo de tiros tomando o lugar da letra 'o' em seu nome.

Acima de seu nome, o lema nacional da França, 'liberdade, igualdade, fraternidade' aparece manchado de sangue.

Promotores que investigam as várias queixas contra a empresa pensam em acusá-la de falsificação, uso indevido de nomes de marca e incitação ao terrorismo.

O advogado de Boeuf disse que as camisetas são cômicas e acusou Sarkozy de tentar limitar a liberdade de expressão.

'Me preocupo com a liberdade de sátira e a liberdade de humor', disse o advogado Roland Marmillot à France Info.

O gabinete do presidente se negou a comentar o assunto.

No início do ano Sarkozy indicou que estava disposto a ir aos tribunais para defender seu nome, depois de lançar uma ação criminal contra um jornalista que afirmou que o presidente enviara uma mensagem de texto a sua ex-mulher, pedindo que ela voltasse a ele, pouco antes de seu casamento com Carla Bruni.

O presidente desmentiu a alegação e, mais tarde, desistiu da ação, depois de o jornalista envolvido ter escrito a ele e a Carla Bruni, pedindo desculpas.

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