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Sarkozy considera legítima a preocupação demonstrada por grevistas

PARIS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, considerou legítima a preocupação demonstrada nesta quinta-feira pelos grevistas, durante as manifestações em massa na França, e confirmou que em fevereiro vai se reunir com sindicatos e empresários para conversar sobre as reformas.

Redação com agências internacionais |

"A crise tem uma dimensão sem precedentes que afeta a economia mundial e causa na França, como em todas partes do mundo uma inquietude legítima", estimou o presidente francês em comunicado.

"Esta crise impõe aos poderes públicos um dever de escuta, de diálogo e, ao mesmo tempo, uma grande determinação para atuar. Neste espírito, me reunirei em fevereiro com as organizações sindicais e patronais para chegar a um consenso sobre um programa de reformas a aplicar em 2009 e os métodos para levá-lo à frente", prosseguiu.

Nesta quinta-feira, cerca de um milhão de pessoas, segundo a polícia, e 2,5 milhões segundo a CGT, principal sindicato francês, participaram de 195 manifestações na França contra a política do governo Nicolas Sarkozy.

A greve geral atinge os transportes, escolas, hospitais, correios, aeroportos, rádios e televisões públicas, empresas de energia e telecomunicações e vários outros serviços no país. A paralisação, que varia de acordo com as diferentes categorias, representa o primeiro grande teste político para o presidente Nicolas Sarkozy desde o início de seu mandato, em maio de 2007.

Nos hospitais, o número de grevistas é de 21,3%, segundo o governo - o dobro registrado em uma outra paralisação do setor, em 2007. Os sindicatos afirmam que o total de grevistas nos hospitais atinge 50%.

Trabalhadores protestam no porto de Marseille

Trabalhadores protestam no porto de Marseille / AP

Também segundo o governo, 23% dos funcionários públicos estão em greve. Nas escolas, a paralisação é forte e representa um total de 35%, de acordo com o ministério da Educação (nas escolas primárias o índice de grevistas chega a 47%). Os sindicatos anunciam que o número de grevistas no setor da educação atinge pelo menos 60%.

Nos correios, 25% dos funcionários estão em greve. A companhia ferroviária SNCF informou que o número de grevistas atinge 36,7%, enquanto o maior sindicato da categoria anunciou uma adesão de 41%. A direção da empresa informou que nenhum TGV (trem de alta velocidade) que liga regiões fora da capital deve circular nesta quinta.

Em Paris, o metrô e os ônibus estão funcionando quase normalmente, apesar de em algumas linhas o tempo de espera chegar ao triplo do normal. Mas somente 50% de algumas linhas de trens de periferia da capital estão funcionando.

Nos aeroportos, 15% dos operadores de vôo estão em greve, de acordo com a Direção Geral da Aviação Civil. No aeroporto de Orly, 35% dos vôos foram cancelados até o momento e, em Charles de Gaulle, estão ocorrendo atrasos de meia hora, em média.

Crise econômica

A greve desta quinta-feira foi convocada para marcar a grande preocupação dos franceses com a crise econômica e exigir medidas de estímulo ao emprego e de melhora do poder aquisitivo, além da defesa do serviço público, já que o governo prevê demitir 30 mil servidores.

A greve geral, até o momento, está sendo considerada maior do que a realizada em maio de 2008. Mas ela teria aparentemente menor número de adesões, segundo o governo e sindicatos de empresas públicas, na comparação com outros protestos mais amplos na França.

Homem é visto em plataforma de trem, em Paris, vazia devido à greve geral

Em Paris, é grande a espera nas estações de trem / AP

Cerca de 200 manifestações ocorrem no país nesta quinta-feira. Várias delas já foram realizadas no interior da França. Em Bordeaux, o número de manifestantes foi estimado em 60 mil. A passeata parisiense teve início nesta tarde.

A situação social na França é bem diferente do período anterior à crise econômica mundial. Em julho passado, o presidente Sarkozy chegou a afirmar, com ironia, "que ninguém mais percebia quando há uma greve na França".

Trabalhadores do setor privado, que normalmente fazem menos greves, também se uniram ao movimento. Cerca de 10% dos empregados da montadora Renault estão em greve. No banco Crédit Lyonnais, a direção estima o número de grevistas em 16%.

A greve nacional conta com forte apoio da população. Segundo uma pesquisa do jornal Le Parisien, 69% dos franceses estão favoráveis à paralisação.

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