Sarkozy confirma assassinato de refém francês

Michel Germaneau tinha sido sequestrado havia três meses no Níger pelo grupo terrorista Al-Qaeda

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Michel Germaneau, cidadão francês de 78 anos, foi assassinado pela Al-Qaeda no Magreb Islâmico
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, confirmou nesta segunda-feira a morte do refém francês Michel Germaneau em Mali, conforme reivindicado no domingo pela Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), depois de uma tentativa fracassada do exército francês para libertá-lo.

"Condeno este ato bárbaro, odioso, que acaba de causar uma vítima inocente que dedicava seu tempo a ajudar a população local", declarou Sarkozy em um pronunciamento na TV, condenando também um "assassinato a sangue frio". "Sua morte demonstra que estamos diante de uma gente que não tem nenhum respeito pela vida humana", acrescentou o presidente, recordando que Germaneau tinha 78 anos e estava doente.

Na véspera, o líder da organização AQIM informou que seu grupo matou o refém francês Michel Germaneau, segundo uma gravação em áudio divulgada pela emissora de TV Al-Jazeera. "Anunciamos que executamos o refém francês chamado Michel Germaneau no sábado, 24 de julho, para vingar nossos irmãos mortos na covarde operação da França" junto às forças mauritanas contra uma unidade da Al-Qaeda, disse na gravação o líder da AQMI, Abu Mussab AbdelWadud.

Operação de resgate fracassada

No sábado, um funcionário francês da pasta da Defesa havia anunciado que militares franceses, junto com soldados mauritanos, participaram na quinta-feira, 22 de julho, de uma operação militar no deserto do Mali contra um grupo da AQIM, acreditando ter localizado o refém.

A operação, no entanto, acabou em fracasso. O engenheiro francês mantido refém pela AQIM não estava na base atacada pelos comandos franceses e pelas unidades mauritanas. Sete membros do grupo terrorista morreram na operação, enquanto outros quatro conseguiram escapar, informaram fontes mauritanas. Um primeiro balanço dava conta de seis mortos. Entre vinte e trinta militares franceses participaram do ataque, segundo a fonte francesa.

A última prova de vida do refém remontava a meados de maio, quando a AQMI divulgou uma gravação de áudio e uma foto dele, pedindo a intervenção do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para libertá-lo. A AQMI ameaçava executar Germaneau caso suas exigências não fossem cumpridas.

A mesma organização terrorista, que opera em uma região desértica entre Mali, Níger, Mauritânia e Argélia, mantém reféns dois espanhóis: Albert Vilalta, de 35 anos, e Roque Pascual, de 50, que foram sequestrados no fim de novembro.

Germaneau, sequestrado em 19 de abril, no Níger, e foi levado em seguida para o Mali, era mantido refém por uma célula da AQMI chefiada pelo argelino Abdelhamid Abu Zeid, considerado um homem "violento e brutal", que já executou há 13 meses um refém britânico, Edwin Dyer, sequestrado seis meses antes.

Londres se negou a ceder às exigências da AQMI, que reivindicava que a Grã-Bretanha trabalhasse pela libertação de vários membros da organização, prisioneiros nos países do Sahel.

As mesmas exigências foram feitas pela AQMI para preservar a vida de Germaneau. Mas, segundo Paris, os sequestradores não deram nenhuma informação sobre a identidade e o local de detenção dos prisioneiros que queriam ver libertados.

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