Sarkozy chega a Moscou para negociar crise na Geórgia

O presidente francês Nicolas Sarkozy - atualmente na presidência da União Européia - chegou a Moscou nesta segunda-feira, para discutir a crise na Geórgia com o presidente russo Dmitri Medvedev. Sarkozy foi acompanhado do chefe de política internacional da UE, Javier Solana, e do chefe da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

BBC Brasil |

A expectativa é de que Sarkozy pressione a Rússia a cumprir os pontos do acordo de paz que ele apresentou para pôr fim aos conflitos, entre eles o da retirada das tropas russas de território georgiano.

A Rússia afirma que está cumprindo sua parte, mas vários países europeus discordam. Alguns líderes já avisaram que a normalização de relações com a Rússia só será possível quando o acordo de paz for implementado - a União Européia suspendeu conversações sobre um acordo de uma nova parceria com Moscou.

Os europeus também devem pressionar o governo russo a permitir que uma missão internacional monitore os acontecimentos em campo.


Sarkozy se encontrou com o presidente russo Dmitri Medvedev / Reuters

Ruínas

Segundo o enviado da BBC à Ossétia do Sul, Rupert Wingfield-Hayes, todos os vilarejos georgianos na estrada ao sul da fronteira russa estão em ruínas.

Casas, lojas e escolas foram saqueadas e, em um vilarejo, várias casas georgianas foram postas abaixo por tratores.

Segundo o analista da BBC Jonathan Marcus, o reconhecimento russo da Abecásia e da Ossétia do Sul como Estados independentes, e a contínua resistência de Moscou em implementar o acordo terão profundas conseqüências para as relações da Rússia com a UE.

Depois do encontro de segunda-feira, o trio europeu segue para Tiblisi, capital da Geórgia, onde vai se reunir com o presidente Mikhail Saakashvili.

Também nesta segunda-feira, começam as audiências emergenciais na Corte Internacional de Justiça, em Haia, sobre as queixas apresentadas pela Geórgia para por fim à suposta limpeza étnica promovida pela Rússia no conflito entre os dois países.

A Geórgia acusa a Rússia de cometer abusos de direitos humanos e pede à corte que ordene medidas de proteção, para impedir a Rússia de supostamente aterrorizar georgianos e para permitir que refugiados retornem a áreas dominadas pela Rússia durante a campanha militar na Geórgia.

Especialistas em direito internacional dizem que as chances de que o caso venha a ser aceito pela Corte dependem da capacidade da Geórgia em provar que a Rússia vem realizando uma campanha sistemática de limpeza étnica na região.

A expectativa é de que a Rússia questione a jurisdição da corte, ou argumente que a situação está fora de seu controle. Se a corte aceitar a queixa, pode ordenar medidas emergenciais imediatamente. Um julgamento poderia levar anos.


Mapa da Geórgia


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