Paris, 25 nov (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, promulgou um decreto que impede o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin de receber a Legião de Honra, a condecoração máxima do país, por não ter completado dois anos no cargo.

O decreto, assinado por Sarkozy e publicado no "Diário Oficial" com data de 22 de novembro, destaca que a "dignidade de grande oficial (da Legião de Honra) corresponde ao pleno direito dos ex-primeiros-ministros que exerceram suas funções durante pelo menos dois anos".

Na qualidade de presidente, Sarkozy ostenta o cargo de grão-mestre da Ordem da Legião de Honra, o que dá ao chefe de Estado francês o poder de decidir a quem concede o prestigioso reconhecimento.

No caso de Villepin, o ex-primeiro-ministro não chegou a completar dois anos por apenas 15 dias, segundo publica hoje o jornal francês "Le Monde" em uma informação na qual se pergunta se é uma "casualidade" ou não esse limite de tempo, levando em conta a conhecida inimizade política entre o ex-premier e o presidente.

No entanto, o "Le Monde" diz que Villepin não é exceção, já que o decreto presidencial também deixará sem a Legião de Honra Laurent Fabius, que exerceu o cargo de primeiro-ministro durante um ano e oito meses, e Édith Cresson, primeira-ministra por apenas dez meses e 15 dias.

A Legião de Honra, criada por Napoleão Bonaparte em 1802, é a mais alta condecoração oficial da França.

A má relação entre Sarkozy e Villepin data de quando os dois aspiravam ser candidatos à Presidência da França por seu partido, União por um Movimento Popular (UMP).

Os dois políticos se enfrentam agora no chamado caso Clearstream, no qual o ex-primeiro-ministro foi convocado a prestar depoimento como suspeito de ter manipulado informações para prejudicar o agora presidente Sarkozy.

Villepin contra-atacou através de um de seus advogados, que apresentou ontem um documento no qual acusa Sarkozy de ter usar suas funções de presidente para interesses pessoais. EFE pi/wr/rr

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