Sarkozy apresenta projeto de imposto sobre carbono

Por Estelle Shirbon PARIS (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, lançou nesta quinta-feira o projeto de um imposto sobre o carbono, com o objetivo de incentivar as indústrias e os consumidores a reduzirem o gasto de energia.

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A cobrança, estabelecida inicialmente em 17 euros por tonelada de dióxido de carbono emitido, provocaria um aumento dos custos associados a fábricas, calefação e veículos.

"O desafio mais sério que nós enfrentamos é a mudança climática... Cada um de nossos compatriotas precisa se sentir envolvido", disse Sarkozy em discurso televisionado. O objetivo do presidente era reduzir o ceticismo da opinião pública.

A gestação do projeto, que durou meses, causou polêmica nos meios políticos, com divisões dentro do partido governista e objeções dos partidos Verde e Socialista, na oposição.

Os verdes concordam com os princípios do projeto, mas dizem que o imposto deve ser maior para haver um impacto significativo. Já os socialistas afirmam que o imposto afetará famílias que já lutam para superar a maior crise econômica dos últimos 15 anos.

Uma pesquisa de opinião do instituto Ifop para a edição desta semana da revista Paris Match mostrou que 65 por cento dos franceses é contra a taxa.

Críticos acusam o governo de tentar aumentar a receita depois que a recessão abriu um rombo no déficit do orçamento.

Sarkozy rejeitou as críticas, prometendo que o imposto sobre o carbono não aumentará a carga tributária aos consumidores porque o aumento do combustível será compensado por reduções do imposto de renda.

As pessoas isentas do imposto receberão "cheques verdes" do governo para compensar a subida dos combustíveis, acrescentou.

O sistema diferenciará as pessoas que vivem em áreas urbanas, com bom transporte público, e as que vivem em zonas rurais, que dependem mais de carros. Os habitantes de áreas rurais terão mais compensações do Estado, afirmou Sarkozy.

Sindicatos dizem que isso parece muito complicado, e colocaram em dúvida a capacidade do governo de compensar totalmente os contribuintes.

A taxa subirá ao longo do tempo, disse Sarkozy, sem dar detalhes. Ela será introduzida em 2010.

Alguns países nórdicos criaram impostos semelhantes nos anos 1990, e afirmam que as medidas ajudaram a reduzir as emissões sem prejudicar o crescimento. A França será a maior economia da Europa a adotar o sistema até agora.

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