Sarkozy apóia Israel, mas defende Estado palestino

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu nesta segunda-feira a criação de um Estado palestino e o congelamento da colonização israelense, em um discurso pronunciado na Knesset, o Parlamento do Estado Hebreu, ao qual ratificou seu apoio.

AFP |

Em um Knesset lotado, em Jerusalém, Sarkozy enumerou as condições necessárias, segundo ele, para o relançamento "da esperança de paz", nascida no final de 2007, na Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos.

"Como todos os povos, o povo de Israel tem o direito de viver em segurança dentro das fronteiras reconhecidas e garantidas (...) A França não irá transigir nunca com a segurança de Israel", declarou Sarkozy, no segundo dia de sua visita de Estado em Israel.

"O povo palestino tem direito a um Estado e exercer ali sua soberania", afirmou.

Nesse sentido, ele repetiu, sob os aplausos dos deputados, que um Irã dotado de armamento nuclear é "inaceitável" e assegurou que a França estará sempre presente para "bloquear o caminho" dos que clamam pela destruição de Israel, evocando as repetidas ameaças do presidente Mahmud Ahmadinejad.

"Mas devemos a verdade a nossos amigos", continuou Sarkozy, que reafirmou, ao mesmo tempo, sua "amizade" e seu "respeito" por Israel.

"A verdade é que a segurança de Israel só estará verdadeiramente garantida, quando virmos, ao seu lado, um Estado palestino independente, moderno, democrático e viável", defendeu.

"Não pode haver paz sem o fim da colonização" na Cisjordânia, frisou, explicando que sua continuação, sobretudo, em Jerusalém Leste, é o principal obstáculo para o processo de paz.

"Não pode haver paz, se os palestinos não combaterem eles mesmos o terrorismo (...) não pode haver paz sem o reconhecimento de Jerusalém como capital dos dois Estados", insistiu Sarkozy.

Convencido de que "a paz é possível", o presidente francês fez um apelo a israelenses e palestinos para que tomem iniciativas nesse sentido e, uma semana antes de assumir a presidência "pro tempore" da União Européia (UE), ofereceu a ambos os lados a contribuição da França e da Europa.

"Vocês devem saber que podem contar com a Europa para ajudá-los a chegar a um acordo final", completou.

Os líderes israelenses não reagiram publicamente ao discurso de Sarkozy.

"Nenhum deputado deixou a casa quando o presidente falou sobre paralisar a colonização", comentou um dos membros da missão francesa, lembrando que alguns parlamentares se levantaram quando François Mitterrand defendeu, diante do Knesset, em 1982, a criação de um Estado palestino.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, comemorou o discurso de Sarkozy. Na terça-feira, Abbas deve receber o presidente francês, em Belém, na Cisjordânia, no último dia de sua visita.

"As posições expressas pelo presidente Sarkozy traduzem o apoio francês à causa palestina, visando a chegar a um acordo de paz na região", declarou o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

Atento, desde o início de sua visita, a respeitar um estrito equilíbrio entre os dois lados, Sarkozy recebeu personalidades palestinas de Jerusalém Leste e, depois, os pais do soldado franco-israelense Gilad Shalit, seqüestrado em 2006 por um comando palestino na fronteira da Faixa de Gaza.

"É preciso libertar Gilad", disse Sarkozy à comunidade francesa em Jerusalém.

"Não construiremos a paz assim, mantendo reféns. Vamos multiplicar as iniciativas para conseguir sua libertação".

Ele também prometeu que a Justiça francesa punirá "com severidade" os agressores de um jovem judeu, em um incidente ocorrido sábado, em Paris, afirmando que "o anti-semitismo é uma mancha na bandeira nacional".

O chefe de Estado francês e sua mulher, Carla Bruni, devem encerrar o dia com um jantar oferecido pelo presidente israelense, Shimon Peres.

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