Paris, 11 mar (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje a reintegração plena da França na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com seu retorno ao comando militar, como um passo necessário para enfrentar condições de segurança que mudaram radicalmente.

"A França não é mais ameaçada por uma invasão militar", as ameaças atuais são muito diferentes, segundo o chefe do Estado francês, que ressaltou que "uma nação solitária é uma nação que não tem nenhuma influência".

Sarkozy fazia estas declarações no encerramento de um colóquio sobre a França, a defesa europeia e a Otan, com a participação, entre outras autoridades, do secretário-geral da Aliança, Jaap de Hoop Scheffer, e do alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Javier Solana.

O presidente francês aproveitou a ocasião para explicar sua decisão de que França volte a participar plenamente do comando militar da Otan e para rebater as críticas de que isso implica em perda de soberania.

Sarkozy disse hoje que é justamente o afastamento da França da Otan que limita sua independência nacional.

"Chegou o momento" de a França não se excluir de uma organização da qual já está participando, disse, reiterando que Paris manterá toda sua liberdade ao tomar decisões sobre o envio de tropas.

O porta-voz da Otan, James Appathurai, disse que a organização considera que o anúncio francês do retorno à estrutura militar integrada da organização beneficia a França, a Aliança e a União Europeia.

É uma situação na qual "todos ganham", disse Appathurai, em declarações antes do anúncio feito pelo presidente francês.

Para a França, significa o reconhecimento de sua "contribuição significativa" à Aliança, já que está entre os quatro países que oferecem mais meios e efetivos para as missões da organização, acrescentou o porta-voz.

Há mais de 40 anos, a França deixou de participar da estrutura militar integrada da organização por decisão do general Charles De Gaulle, que não queria que, no contexto da Guerra Fria, houvesse tropas estrangeiras na França dirigidas por outro país.

A decisão de Sarkozy de voltar à estrutura militar da Aliança deve se concretizar durante a cúpula que a Otan realizará no início de abril por ocasião dos 60 anos de sua criação, nas cidades de Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha). EFE pi/an

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