A Fraça lançará no outono um grande plano para financiar suas prioridades de final da crise, anunciou nesta segunda-feira em Versalhes o presidente Nicolas Sarkozy, considerando que o choque da recessão pôs em moda o modelo francês.

Para traçar as perspectivas da segunda parte de seu mandato, Sarkozy convocou deputados e senadores ao castelo de Versalhes - uma inovação, depois de 150 anos, permitida por uma reforma da Constituição aprovada ano passado, em meio as críticas da oposição que vê nisso tendências "monárquicas".

O presidente francês confirmou que o governo será remanejado na quarta-feira. "O primeiro trabalho será refletir sobre nossas prioridades nacionais e colocar em execução um plano financeiro", declarou Sarkozy.

Estes investimentos prioritários para a França e sua economia serão definidos ao final de um debate de três meses com o Parlamento, os parceiros sociais, os meios econômicos e culturais, precisou.

O presidente francês, eleito em 2007 com um programa muito liberal, considerou que a crise questionou os dogmas em vigor da economia mundial. "O mundo descobriu os limites de uma visão exclusivamente mercantilista", afirmou.

"A crise pôs o modelo francês na moda. Hoje, ele é reconhecido por seu papel de amortizador social", considerou o presidente. "Obrigando-nos a deixar tudo bem claro, abalando dogmas e certezas, a crise nos torna mais livres para imaginar um outro futuro", acrescentou.

Mas o país vem sendo confrontado, além da recessão, com uma degradação espetacular de suas finanças públicas.

Segundo o ministro do Orçamento, Eric Woerth, o déficit público da França atingirá entre 7 e 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e 2010, bem longe do valor de referência de 3% ditado pelos tratados europeus.

Sarkozy lamentou o "mauvais déficit", que deve "ser levado a zero através de reformas corajosas", disse. Prometeu reduzir o número de políticos eleitos, de dar prosseguimento à redução dos efetivos na função pública e de realizar em 2010 uma nova reforma das aposentadorias.

Em relação aos contribuintes franceses, prometeu "não aumentar os impostos, porque isso atrasaria ainda mais a saída da crise".

Além da crise, Nicolas Sarkozy entrou no debate sobre a burqa - uma espécie de túnica usada pelas mulheres muçulmanas que ficam apenas com uma abertura em crivo para os olhos -, e que vem inflamando o país nos últimos dias.

"Não será bem-vinda em nosso território", disse, acrescentando, no entanto, que "a religião muçulmana deve ser respeitada tanto quanto as demais religiões".

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