Sarkozy anuncia prioridades de defesa e segurança para os próximos 15 anos

Paris, 17 jun (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje as prioridades de defesa e segurança de seu país para os próximos 15 anos, com menos militares - mas mais bem equipados -, e reforço e modernização de suas capacidades de inteligência, perante as novas ameaças do mundo globalizado.

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Diante de mais de três mil militares e responsáveis de segurança reunidos em Paris, Sarkozy também confirmou seu desejo de que a França integre a estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 2009, exceto os grupos de planos nucleares.

"O arsenal francês de dissuasão nuclear continuará sendo estritamente nacional", disse Sarkozy.

O presidente francês quer relançar a construção da defesa européia durante sua Presidência semestral da União Européia (UE), a partir de julho.

Cinco dias depois de a Irlanda rejeitar o Tratado de Lisboa, o líder francês afirmou que "seja qual for o futuro" do texto, quer que a Presidência francesa da UE seja "a primeira etapa de um verdadeiro relançamento da defesa do continente para os próximos anos".

"Quero fazer da política de defesa e segurança um exemplo da Europa concreta, da Europa que atende às necessidades dos europeus", disse o chefe de Estado.

A prioridade é construir no continente, de forma "pragmática", capacidades "modernas, fortes, flexíveis e compatíveis", disse Sarkozy, para quem a UE deve ter o poder de deslocar simultaneamente 60 mil militares em operações "distantes".

Para isso, deve unir seus esforços e dinamizar sua indústria de armamento, com cooperações e fusões para criar grupos europeus com moral suficiente em nível mundial.

Sarkozy, que ancorou a defesa e a segurança da França na UE e na Otan, justificou a "histórica" reestruturação das forças armadas francesas pela necessidade de se adaptar às novas ameaças e a "incerteza estratégica" do mundo globalizado.

"Ataques terroristas, por exemplo, que são uma ameaça imediata e podem ganhar amanhã uma forma nova, até mais grave, com meios radiológicos, químicos e biológicos, ou ataques informáticos", disse o chefe de Estado.

"A incerteza é a filha da globalização. Será, portanto, a fundação da nova estratégia para a França", disse Sarkozy, em seu discurso, ao apresentar as linhas da nova estratégia baseada no Livro Branco de defesa e segurança nacional.

Ele confirmou que haverá uma queda significativa dos efetivos das Forças Armadas, que serão reduzidas a 225 mil tropas em seis ou sete anos, um corte que se concentrará essencialmente em postos administrativos e de apoio, disse Sarkozy, que insistiu várias vezes que é preciso "escolher".

"A função das Forças Armadas não é a ordenação do território", disse, adiantando-se à tempestade política interna pelo fechamento de quartéis e bases.

O presidente francês prometeu que os recursos economizados serão investidos na Defesa, cujo orçamento aumentará a partir de 2012 e que totalizará 377 bilhões de euros até 2020, dos quais 200 bilhões para o aparelhamento das Forças Armadas.

Nessa modernização, destaca-se a prioridade estratégica dada às capacidades de inteligência, que se junta agora aos quatros pilares tradicionais de dissuasão, proteção, prevenção e intervenção.

Os fundos para os satélites militares serão duplicados, haverá mais ênfase nos aviões sem piloto, radares e sensores, e será criado um Conselho Nacional de Informação, com um coordenador para pilotar a política de inteligência.

Será implantado um sistema de "alerta e informação", as forças de segurança terão equipamentos de proteção contra riscos nucleares, radiológicos, biológicos e químicos, e contra ataques informáticos, a França terá "pela primeira vez" capacidades defensivas e ofensivas.

Sarkozy disse que no exterior seu país poderá desdobrar 30 mil homens (são 50 mil atualmente), 70 aviões de combate, um grupo aeronaval e dois marítimos, e concentrará suas capacidades de projeção em um arco que vai do oceano Atlântico ao Índico. EFE ao/rb/gs

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