Sarkozy anuncia medidas antiterroristas e punição para extremistas

Presidente francês planeja reforma legislativa para punir radicais e quem visita sites de apologia ao terrorismo com frequência

iG São Paulo |

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta quinta-feira uma reforma legislativa para impor penas aos que visitam sites de apologia ao terrorismo e à violência e também aos indivíduos que viajam para outros países com o objetivo de se doutrinar com esse tipo de ideologia.

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"Vamos reprimir a propagação de ideologias extremistas como crime previsto no Código Penal", ressaltou Sarkozy em uma declaração do Palácio do Eliseu sobre a operação policial que matou Mohamed Merah , suspeito de assassinar sete pessoas em Toulouse e Montauban nos últimos dias. 

AP
Medidas foram anunciadas por presidente durante discurso transmitido do Palácio do Eliseu

Em seu discurso na televisão, Sarkozy ressaltou que franceses que visitam sites que apoiam o terrorismo serão punidos por lei. "Aqueles que regularmente visitam 'websites que apoiam o terrorismo ou conclamam o ódio ou a violência serão punidos perante a lei", disse. 

O presidente apelou para que os franceses não confundam terrorismo e islamismo. Os muçulmanos franceses "não têm nenhuma relação com a motivação louca de um terrorista", disse referindo-se aos 5 milhões de muçulmanos do país, a maior na Europa ocidental.

O presidente disse que "há uma investigação em andamento para determinar se ele teve cúmplices" no assassinato de três crianças e um professor em uma escola judia de Toulouse e de três militares, um nessa mesma cidade e outros dois na vizinha Montauban.

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Sarkozy disse que havia encarregado a seu ministro da Justiça de "uma reflexão profunda" sobre a propagação nas prisões de ideologias "ao ódio e ao terrorismo".

O procurador francês, François Molins, disse nesta quarta-feira que Merah foi introduzido a ideias extremistas quando esteve preso. “Foi durante dua prisão que ele começou a se engajar de modo mais assíduo a ler o Alcorão”, disse.  

Eleição

Os ataques contra uma escola judaica e contra militares em Toulouse poderão criar uma reviravolta na campanha às eleições presidenciais francesas , em abril, e favorecer o presidente, Nicolas Sarkozy, e também a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.

Uma pesquisa do instituto CSA para o jornal 20 Minutos e BFM TV, realizada na segunda e terça-feira, logo após o drama na escola judaica, e divulgada nesta quinta-feira, revela que Sarkozy passou a liderar as intenções de voto para o primeiro turno com 30%, com dois pontos à frente do rival socialista François Hollande.

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Essa é a primeira vez que Sarkozy lidera no primeiro turno nas pesquisas do instituto CSA. No segundo turno, no entanto, não houve mudanças, e Hollande continua totalizando 54% e Sarkozy, 46%.

Logo após o início do cerco ao suspeito, Marine Le Pen declarou "guerra ao fundamentalismo", acrescentando que o governo não é eficaz em relação às questões de segurança.

Já Hollande insistiu que o autor dos massacres de Toulouse e Montauban "demonstrou sua extrema periculosidade" e prestou homenagem pela "coragem e determinação" às forças de segurança por sua ação em "uma operação eminentemente arriscada".

"A luta contra o terrorismo é um combate contínuo, que não permite nenhum relaxamento, nenhuma fraqueza, afirmou o líder socialista, favorito nas pesquisas.

*Com EFE, AP e BBC

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