Sarkozy anuncia candidatura à reeleição

Apesar dos baixos índices de popularidade, presidente promete reformas para manter 'estilo de vida francês' durante crise

iG São Paulo |

Após meses de falso suspense, o presidente francês, Nicolas Sarkozy , oficializou na noite desta quarta-feira a sua candidatura à reeleição, apesar dos baixos índices de popularidade nos últimos anos.

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AP
Presidente francês Nicolas Sarkozy ajusta seu microfone antes de anunciar candidatura à reeleição em entrevista ao canal de TV TF1

O presidente considerou diferentes possibilidades para fazer o anúncio e acabou optando por uma entrevista ao canal de televisão TF1, realizada durante a apresentação do jornal das 20h no horário local (17h em Brasília). "Sim, eu sou um candidato para as eleições presidenciais", afirmou Sarkozy.

"Esaa é uma decisão carregada de significado. Se eu decidi ficar, é porque eu tenho coisas a dizer aos franceses, tenho propostas para a apresentá-los”, acrescentou.

Por meses, pesquisas têm mostrado que Sarkozy está atrás de seu principal rival, o socialista François Hollande. Em algumas pesquisas, a vantagem de Hollande no segundo turno, marcado para 6 de maio, chega a 20 pontos percentuais.

Na pesquisa Harris Interactive, divulgada nesta quarta-feira, Hollande lidera com 28% das intenções de voto no primeiro turno, em 22 de abril. Sarkozy, em segundo lugar, registra 24%. No segundo turno, de acordo com a mesma pesquisa, o socialista conta com 57% das intenções de voto, contra 43% de Sarkozy.

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Especialistas dizem que o presidente enfrentará uma difícil batalha para convencer os eleitores a votarem nele mais uma vez. Sarkozy tem pouco tempo para tentar promover uma reviravolta no quadro, uma vez que o primeiro turno ocorre em 22 de abril.

Sarkozy manteve suas intenções políticas de tentar a reeleição em silêncio, enquanto seus adversários políticos estão fazendo campanha abertamente há meses. Em seu anúncio nesta quarta, Sarkozy disse que o responsável pelos problemas dos eleitores franceses foi a crise financeira e prometeu que se concentrará em gerar emprego.

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Ele também prometeu um referendo sobre auxílio-desemprego e formação a desempregados, e disse que mais reformas são necessárias para manter o "estilo de vida francês". Sarkozy acrescentou que a França não pode se voltar apenas para dentro, fingindo "que a crise não existe".

As eleições presidenciais em dois turnos na França ocorrem em abril e maio e é provável que elas tenham um impacto em toda União Europeia. Sarkozy tem estado muito próximo das discussões para salvar o euro em meio a uma crise no bloco.

Analistas estimam que as eleições presidenciais devem se tornar um referendo do governo Sarkozy. Uma recente pesquisa do instituto CSA reforça essa tese, ao apontar que 63% dos franceses que pretendem votar no socialista o farão para evitar que Sarkozy seja reeleito.

Além de problemas de imagem e de ter o mais baixo índice de popularidade de um presidente francês nas últimas décadas, o mandato de Sarkozy é criticado sobretudo em relação às suas promessas de aumentar o poder aquisitivo da população e de reduzir o desemprego.

Desde o general Charles de Gaulle, em 1958, nenhum presidente em exercício passou para o segundo turno das eleições presidenciais em segundo lugar - que é o que as atuais pesquisas de opinião indicam que pode ocorrer com Sarkozy. "Há vários meses, a diferença de (intenções de) votos entre Hollande e Sarkozy no segundo turno tem sido enorme e, além disso, ela permanece estável, na faixa de 15 a 20 pontos percentuais", diz Bruno Jeambart, do instituto Opinionway.

Frente Nacional

Sarkozy nega que tenha dado uma guinada à direita em seu discurso, mesmo tendo recentemente sugerido referendos nacionais sobre a facilitação das regras de expulsão de imigrantes clandestinos e sobre a eventual obrigatoriedade de desempregados fazerem cursos de recapacitação compulsórios.

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Acredita-se que o presidente tente, com essas propostas, atrair eleitores do partido de extrema direita Frente Nacional que já contribuíram para a sua vitória em 2007, mas que agora se dizem decepcionados com o governo de Sarkozy.

O novo candidato abriu nesta quarta-feira uma conta pessoal na rede Twitter e já tem dois comícios agendados para esta semana - um na quinta-feira em Annecy, no leste do país, e outro no domingo, em Marselha, no sul da França.

Decisão da primeira-dama

A primeira-dama francesa, Carla Bruni, adiou um projeto televisivo que tinha previsto para não interferir na campanha de Sarkozy às eleições presidenciais.

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"Não quero lançar este projeto antes de maio por causa das eleições. Não quero que minha ação interfira na campanha atual e que seja interpretada como um compromisso político", disse a ex-modelo e cantora em declarações à revista TV Magazine.

Carla Bruni deve elaborar uma série de programas curtos sobre a luta contra o analfabetismo entre as crianças. A primeira-dama detalhou que "uma vez que passem as eleições" começará a preparar o programa.

Com AP, EFE e BBC

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