Sarkozy alerta para conseqüências de conflito em relação entre Rússia e UE

Paris, 27 ago (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, advertiu hoje a Moscou que as conseqüências do conflito na Geórgia determinarão por muito tempo a relação da União Européia (UE) com a Rússia.

EFE |

"O que está em jogo neste conflito é absolutamente essencial", afirmou Sarkozy, que preside a UE neste semestre, em discurso ao abrir a conferência anual de embaixadores franceses.

"Para os europeus, não pode haver e não haverá outra solução a não ser a baseada no direito, em um diálogo que inclua todas as partes interessadas, e no respeito à soberania, independência e integridade territorial da Geórgia em suas fronteiras reconhecidas internacionalmente", afirmou.

Sarkozy lembrou que a UE condenou com firmeza na terça-feira a decisão russa de reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

Esta decisão, juntamente com "uma mudança unilateral" das fronteiras da Geórgia, é "simplesmente inaceitável", sentenciou.

Após afirmar que "foram necessários séculos de confrontos e duas guerras mundiais na Europa para que o continente entendesse que paz e prosperidade são construídas com vizinhos cujos interesses são respeitados e levados em conta", afirmou que é o enfoque proposto pela Europa à Rússia e aos Estados europeus não-membros da UE.

"Juntos podemos construir um futuro de paz e prosperidade compartilhadas", disse Sarkozy, que alegou que "ninguém quer voltar ao tempo da Guerra Fria".

"A Otan não é um adversário, mas um parceiro da Rússia. Já a União Européia pretende construir com esse país uma relação densa e positiva. Cabe hoje à Rússia fazer uma escolha fundamental", disse Sarkozy.

O presidente francês afirmou que seu país e seus parceiros da UE demonstraram com suas iniciativas o quanto desejam que essa escolha seja "a do entendimento e da cooperação, respeitando os princípios da Carta" da ONU e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce).

A cúpula extraordinária dos líderes da UE convocada para a próxima segunda-feira será "a ocasião para que os 27 países da União definam uma linha comum nesta questão essencial de nosso futuro e da relação com a Rússia".

Sarkozy, que intermediou o acordo de cessar-fogo entre Rússia e Geórgia no último dia 12, afirmou que este deve ser aplicado "em sua totalidade", e que dirá isso esta noite a seu colega russo, Dmitri Medvedev.

As forças militares russas que ainda não recuaram às posições anteriores à explosão do conflito devem fazer "sem demora" e o mecanismo internacional que substituirá as patrulhas russas em torno de Ossétia do Sul deve ser posicionado "rapidamente", afirmou.

O líder francês também defendeu a abertura "o mais rápido possível" das conversas internacionais, previstas no ponto 6 do acordo de cessar-fogo, sobre "as modalidades da segurança e estabilidade na Abkházia e Ossétia do Sul". EFE al/ev/gs

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