Sarkozy afirma que não subirá impostos e que mudará modelo econômico

Paris, 22 jun (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assegurou hoje que não aumentará os impostos, porque isso atrasaria a saída da crise, e que quer mudar o modelo de crescimento.

EFE |

As declarações foram feitas em um solene discurso diante do Congresso, reunido no Palácio de Versalhes, o primeiro de um chefe de Estado ao Parlamento, desde 1848.

Sarkozy se dirigiu a senadores e deputados para expor as linhas básicas de seu mandato, em um discurso parecido ao sobre o estado da União, feito todo ano pelo presidente americano.

Começando pela economia, o presidente francês ressaltou que não haverá altas de impostos, porque isso atrasaria a saída da crise.

"Não farei uma política de rigor. Não aumentarei os impostos", prometeu, antes de admitir que a França tem um problema de déficit.

As prioridades de seu Governo serão financiadas, disse, com uma emissão de dívida pública, cujo montante e modalidades não determinou.

O presidente também não quis entrar em detalhes sobre a reforma do sistema de previdência, embora tenha afirmado que "2010 será fundamental", porque será aberto o debate com os interlocutores sociais sobre aspectos que já estão causando polêmica, como o possível atraso da idade de aposentadoria, fixada atualmente em 60 anos na França.

"A crise não terminou" e "não sabemos quando terminará", mas é preciso fazer o possível para superá-la o mais rápido possível, disse o chefe do Estado francês, que ressaltou que é necessário criar um novo modelo de crescimento e "pôr a economia a serviço do homem".

Essa é a meta fixada para o resto de seu mandato, que será remodelado na quarta-feira.

Sarkozy confirmou que haverá mudanças, mas não precisou se será uma remodelação grande ou simplesmente um ajuste do gabinete, com a saída dos dois ministros que deixarão seus postos para ocupar uma cadeira no Parlamento Europeu: a ministra de Justiça, Rachida Dati, e o de Agricultura, Michel Barnier.

No âmbito social, o presidente determinou como prioridade a busca por um modelo de integração e de igualdade, baseado em critérios sociais e não étnicos, e deixou muito clara sua posição em torno de um dos debates mais importante na França sobre o assunto: o da eventual proibição da burca.

Esse costume de origem afegã, que esconde o rosto da mulher, "não é bem-vinda" em território da República francesa e "não é um problema religioso, mas um problema de liberdade e de dignidade das mulheres", afirmou antes de ser interrompido por aplausos.

Os parlamentares de direita ficaram de pé para aplaudir o presidente, enquanto os de esquerda apenas assistiram o discurso, - somente os socialistas, porque os comunistas e os membros do Partido Verde decidiram boicotar o pronunciamento.

Para o ex-primeiro-ministro socialista, Laurent Fabius, o presidente fez um discurso "decepcionante", que não apresentou nada novo. A responsável pelo Partido Verde, Cécile Duflot, criticou a falta de "anúncios precisos e novos".

O secretário-geral da União por um Movimento Popular (UMP), Xavier Bertrand, qualificou o pronunciamento de "particularmente forte".

Foi um discurso de 45 minutos, transmitido ao vivo na televisão e seguido por um debate parlamentar sem votos, que não contou com a presença de nenhum membro dos grupos da esquerda.

Sarkozy pôde fazer o discurso graças à reforma constitucional votada e aprovada em julho, que determinou o fim da proibição de que os chefes de Estado se dirijam aos parlamentares, como estabelecia a Constituição de 1875. EFE pi/pd

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