Sarkozy afirma que a França assume suas raízes cristãs

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta sexta-feira que abrir mão das religiões seria uma loucura e que a França assume suas raízes cristãs, durante um discurso pronunciado no palácio do Eliseu diante do papa Bento 16, pouco depois de sua chegada a Paris.

Redação com agências internacionais |

"Seria uma loucura nos privarmos das religiões, simplesmente uma falta contra a cultura e o pensamento. Por isso defendo um laicismo positivo", disse Sarkozy.

"Não colocamos ninguém diante de ninguém, mas assumimos nossas raízes cristãs", completou.

"É legítimo para a democracia e respeitoso com o laicismo dialogar com as religiões. As religiões, e sobretudo a religião cristã, com a qual compartilhamos uma longa história, são patrimônios vivos de reflexão", acrescentou.

"O laicismo positivo, o laicismo aberto, é um convite ao diálogo", insistiu Sarkozy. 

Chegada a Paris

O papa Bento 16 chegou ao Palácio do Eliseu para se reunir com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, no primeiro ato da visita que iniciou hoje à França.


Presidente da França, Nicolas Sarkozy, recebe o Papa Bento 16 em Paris / AP

Ao chegar ao Palácio presidencial, antes das 12h30 (7h30 de Brasília), o papa foi recebido por Sarkozy, que, em um gesto não previsto pelo protocolo, tinha ido uma hora e meia antes ao aeroporto de Orly, acompanhado pela esposa, Carla Bruni, de origem italiana, para dar as boas-vindas ao pontífice. 

Enquanto a Guarda Republicana fazia uma apresentação no pátio do Palácio do Eliseu, Sarkozy e o papa se cumprimentaram com um aperto de mãos, no tapete vermelho, diante das câmeras.

Ao lado do presidente, o papa fez uma saudação do alto da escada do palácio presidencial.

Agenda

Esta primeira visita à França, de quatro dias, levará Bento 16 amanhã ao santuário mariano de Lourdes (sudoeste francês), para lembrar os 150 anos das aparições de Nossa Senhora a Bernadette Soubirous.

Sarkozy e o papa, a quem o presidente visitou no Vaticano em dezembro do ano passado, mantêm um encontro particular no Palácio do Eliseu, antes de uma recepção para a qual foram convidados os membros do governo e várias centenas de personalidades do âmbito político, religioso e econômico, entre outros.

O chefe de Estado francês e o papa pronunciarão discursos nesta ocasião, na qual se prevê que o laicismo ocupe um lugar importante.

Em Roma, em dezembro, Sarkozy, presidente de uma República laica que é regida desde 1905 pela lei de separação do Estado e a igreja, tinha pregado uma "laicidade positiva", ou seja, que "não considera as religiões como um perigo, mas como um trunfo".

Essa postura foi vista com bons olhos pelo Vaticano, mas gerou fortes críticas nos setores na França defensores da separação entre o Estado e a igreja.

*Com AFP e EFE

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