Sargento americano é indiciado por morte de cinco colegas em base no Iraque

Um sargento do Exército dos Estados Unidos foi indiciado nesta terça-feira por homicídio, no dia seguinte à morte de cinco soldados durante um tiroteio em um hospital militar de Bagdá onde são tratados os casos de traumas relacionados à guerra.

AFP |

O sargento John M. Russell, detido logo depois do incidente - o mais mortífero para o exército em mais de um mês - estava cumprindo sua terceira missão no Iraque. Ele estava recebendo apoio "psicológico", segundo o porta-voz do Exército americano no Iraque, o general David Perkins, que deu nesta terça-feira alguns detalhes sobre o tiroteio.

"Cinco militares foram mortos. Dois deles pertenciam à 55ª companhia médica e eram oficiais no centro de controle do estresse de Camp Liberty. Um era oficial da Navy, e o outro era oficial do Exército", explicou o general Perkins. As três outras vítimas eram simples soldados.

Outros três militares foram feridos durante o tiroteio.

O porta-voz não deu detalhes sobre as circunstâncias em que o suspeito, cujo batalhão deve deixar o Iraque em agosto, conseguiu a arma utilizada para o crime.

"O comandante do suspeito Russell tinha lhe retirado sua arma. Tinha decidido que era melhor para ele. Os superiores de Russell estavam preocupados com seu caso, e ele estava sendo submetido a um acompanhamento psicológico", destacou o porta-voz.

De acordo com o Army Times, um jornal americano independente especializado nas questões militares, tudo começou quando o sargento teve uma "séria discussão" com um médico militar, que o expulsou da clínica.

Ao sair, Russell roubou discretamente a arma de um dos soldados que o acompanhava, antes de voltar para o centro médico e abrir fogo.

Esta não é a primeira vez que um militar americano mata colegas no Iraque.

Em 14 de setembro de 2008, o sargento Joseph Bozicevich matou o sargento-chefe Darris Dawson, 24 anos, e o sargento Wesley Durbin, 26 anos.

O incidente reacendeu o debate sobre os traumas ligados ao estresse decorrente das situações de guerra. Segundo fontes militares, 20% dos soldados americanos que estiveram em missão no Iraque sofrem da Síndrome do Estresse Pós-Traumático (Post Traumatic Stress Disorder, ou PTSD).

O general Perkins anunciou a abertura de uma investigação para avaliar a eficiência dos procedimentos atuais de gestão dos traumas ligados à guerra.

Cerca de 139.000 soldados americanos estão atualmente no Iraque. Todos eles devem deixar o país antes do fim de 2011.

Segundo um balanço estabelecido pela AFP a partir do site independente icasualties.org, o número de soldados americanos mortos no Iraque desde a invasão de março de 2003 chega a 4.294.

Doze militares americanos já morreram no Iraque desde o início deste mês.

bms/yw

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