Sargento acusado de matar 16 civis afegãos chega aos EUA

Depois de ser retirado do Afeganistão, militar americano foi transferido do Kuwait para prisão militar no Kansas

iG São Paulo |

O sargento americano Robert Bales , acusado de matar 16 civis afegãos , foi transferido na sexta-feira de uma base no Kuwait para a prisão militar de Fort Leavenworth, no Kansas, informaram as redes de televisão dos EUA. Robert Bales, 38 anos, foi confirmado como o autor do massacre por um oficial americano, que pediu para não ser identificado.

Leia também: EUA divulgam identidade de militar suspeito de massacre no Afeganistão

AFP
Robert Bales (à esquerda) em foto tirada em agosto de 2011 durante treinamento em Fort Irwin, na Califórnia
Defesa: Acusado de massacre afegão não tinha problema com bebida, diz advogado

O advogado de defesa do militar, John Henry Browne, disse à imprensa americana que seu cliente viu um colega ser ferido seriamente por uma explosão um dia antes do massacre, mas que ele não tinha animosidade em relação a afegãos. A defesa do militar disse que não há informações de que tivesse problemas no casamento ou com bebidas alcoólicas. "Quem não estaria sob estresse em uma zona de combate?", indagou Browne, segundo a CNN.

As afirmações do advogado se referem a informações divulgadas pelo New York Times de que o militar de 38 anos vinha bebendo - uma violação das regras militares em zona de combate - e sofria de estresse relacionado à sua quarta missão de combate e tensão com sua mulher, com quem tem dois filhos de 3 e 4 anos.

Perfil: Suspeito de massacre no Afeganistão tem 2 filhos e serviu no Iraque

“Somando tudo, foi uma combinação de estresse, álcool e problemas domésticos - ele simplesmente perdeu o controle", disse ao jornal um oficial que foi interrogado na investigação e falou sob condição de anonimato pelo fato de o soldado ainda não ter sido indiciado.

O advogado Browne, porém, disse saber poucas informações sobre o ataque do dia 11, mas contestou as informações de que a combinação de álcool, estresse e problemas domésticos o fez surtar. De acordo com ele, a família do militar não tem conhecimento de nenhuma questão com bebidas. Ele também descreveu o casamento do casal como "fabuloso".

Relações

Líderes afegãos exigem que o suspeito seja levado a júri popular no Afeganistão. O presidente afegão, Hamid Karzai , criticou na sexta-feira Washington pelo massacre, um dia depois de dizer que as forças internacionais deveriam sair dos vilarejos de seu país, colocando em perigo as operações da Otan, dois anos antes do prazo para as tropas deixarem o Afeganistão.

Consequência: Taleban suspende negociações de paz com os EUA

Karzai também afirmou que "o governo afegão não recebeu qualquer cooperação de parte dos Estados Unidos" para julgar o autor do massacre no Afeganistão. "Isto já leva muito tempo. Esse comportamento não poderá ser mais tolerado. Não pedimos dinheiro, queremos justiça. Foi um ato intencional perpetrado por soldados americanos. Queremos respostas quando perguntamos por que mataram civis e exigimos que sejam castigados."

O presidente americano, Barack Obama, e Karzai reafirmaram nesta sexta-feira, em conversa por telefone, o objetivo de retirar as forças internacionais do Afeganistão no fim de 2014. Na quinta-feira, Karzai revelou que Cabul planejava assumir a partir de 2013 a segurança no país, substituindo as forças da Otan (Isaf), e não no fim de 2014, como estava previsto até agora. Mas, segundo um comunicado da Casa Branca, os dois presidentes reafirmaram que "as forças afegãs concluirão o processo de transição e assumirão a total responsabilidade pela segurança no conjunto do país no final de 2014".

A Casa Branca enfatiza que, a partir de 2013, "a direção das operações de combate passará progressivamente para as forças afegãs" e que as forças americanas terão um papel de apoio. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, informou à imprensa que os dois chefes de Estado discutiram "a preocupação de longa data de Karzai pelas incursões noturnas e a revista de casas".

Eles se comprometeram a concluir as negociações para um acordo que atenda a essas inquietações, acrescentou Carney, destacando que os dois presidentes estavam em sintomia com relação ao processo de transição no Afeganistão.

Karzai solicitou na quinta-feira que as forças internacionais, dois terços dos quais são de militares americanos, "sejam retiradas dos povoados afegãos e reposicionadas nas bases" principais.

    Leia tudo sobre: euaafeganistãoconflitotalebanmassacresoldadomilitar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG