Sarah Palin sobrevive à ofensiva da imprensa, por enquanto

A avalanche de matérias jornalísticas que colocam em dúvida a integridade de Sarah Palin, candidata republicana à vice-presidência para as eleições de novembro, não conseguiu calar as vozes que bradam Sa-rah! Sa-rah! nos comícios nos Estados Unidos.

AFP |

Os eleitores não parecem se importar com as matérias da imprensa indicando que Palin só interrompeu a construção de uma criticada "ponte para o nada" no Alasca (noroeste) depois que o Congresso cancelou o projeto, e não antes, segundo havia sido indicado anteriormente.

Os seguidores de Palin também não parecem preocupados com uma informação do Washington Post segundo a qual a candidata cobrou do estado do Alasca 312 diárias de um hotel, embora na realidade tenha passado esses dias em sua própria casa. Gastos com transporte para sua família também foram pagos pelos contribuintes.

E a revelação de que sua filha de 17 anos está grávida e pretende ter o bebê simplesmente fez com que Palin fosse vista como uma pessoa normal, cuja família segue à risca suas convicções contra o aborto.

"Ela se tornou meu ídolo", disse Marty Wright, de 65 anos, depois de ter esperado horas embaixo de chuva para acompanhar o discurso da candidata em Lebanon, Ohio, na terça-feira.

Na terça-feira o candidato democrata, Barack Obama, disse aos seus partidários: "Sabem que não podem passar batom em um porco... Continua sendo um porco", em clara referência a Palin, que em seu discurso aceitando a candidatura havia se identificado como um pitbull de batom.

Pouco depois, o candidato republicano à presidência, John McCain, classificou o comentário de Obama de difamação sexista, desencadeando uma controvérsia descartada nesta quarta-feira pelo Partido Democrata como "falsa e boba".

Apesar das críticas, ao invés de se voltar contra Palin as pessoas vaiam os repórteres que a acompanham em sua campanha, gritando "sejam justos" ou "digam a verdade".

Em relação a isso, o estrategista de campanha republicano John Feehery disse que os fatos são menos importantes do que os temas quando se trata de moldar a opinião dos eleitores nas poucas semanas que restam para as eleições de 4 de novembro.

"Que o New York Times e o Washington Post ataquem Sarah Palin. É melhor para ela, porque há uma verdade maior lá fora, e essa verdade maior é que ela é nova, é popular no Alasca e é uma insurgente", disse Feehery ao Post, acrescentando que os "pequenos fatos não importam realmente".

Uma pesquisa da CNN divulgada na terça-feira indicou que embora os eleitores pensem que Palin tem menos experiência que seu rival democrata, 53% votariam nela em vez de Joe Biden.

A Promotoria do Alasca investiga atualmente acusações de que Palin teria tentado utilizar sua influência para demitir um policial do Alasca, que havia ameaçado de morte o pai de Palin. O resultado da investigação deve ser divulgado em outubro.

A campanha de McCain respondeu aos rumores organizando na terça-feira um "comando da verdade", para responder aos "falsos ataques, rumores e calúnias".

Mas embora essas histórias parecessem ser muito prejudiciais para uma candidata em campanha, não parecem influenciar muitos eleitores, segundo o professor de Ciências Políticas John Mueller, da Universidade de Ohio.

"Acho que as pessoas que a apóiam provavelmente não ligam para isso", disse Mueller à AFP.

Já para Larry Sabato, diretor do Centro de Estudos Políticos da Universidade da Virgínia, as revelações da imprensa são "com certeza, nocivas", mas Palin "sobreviverá porque McCain, que apostou muito nela, não pode substituí-la".

mso/dm/fp

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