Sarah Palin é alvo de críticas por alusão ao antissemitismo

Republicana é censurada por usar termo 'libelo de sangue' para desvincular movimento Tea Party de ataque no Arizona

iG São Paulo |

A ex-governadora do Alasca e estrela do movimento conservador Tea Party, Sarah Palin, é acusada de encorajar atos de violência em seu discurso e recentemente despertou a ira de grupos judeus ao usar um termo que se refere ao antissemitismo.

Acostumada a falar o que pensa - sem filtros -, Sarah rompeu seu silêncio na quarta-feira com um vídeo em que acusa a imprensa de um "libelo de sangue" contra ela ao querer vinculá-la ao ataque de um atirador no sábado em Tucson, Arizona. A ação deixou seis mortos e 14 feridos, incluindo a congressista democrata Gabrielle Giffords.

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Reprodução de vídeo de 12/01/2011 em que a republicana Sarah Palin usa a expressão 'libelo de sangue', que faz a alusão ao antissemitismo
"Quando uma tragédia acontece, os jornalistas não deveriam inventar um libelo de sangue que só serve para incitar o mesmo ódio e violência que supostamente condenam", disse Sarah, que é cristã.

O vídeo de quase oito minutos foi gravado com um aprazível cenário: na frente de uma chaminé e com a bandeira dos EUA. Olhando fixamente para a câmera, Sarah critica as "declarações irresponsáveis" após o tiroteio e declara a polêmica frase.

Embora faça parte do vocabulário aceito no idioma inglês para referir-se a uma vítima de falsas acusações, o termo segue tendo uma alta carga emocional na história dos judeus. De acordo com o dicionário Oxford de religiões do mundo, "blood libel" (libelo de sangue) refere-se a uma suposta tradição na qual os judeus usavam o sangue de cristãos, particularmente de crianças, em seus rituais de Páscoa.

Essa tradição é descrita em várias publicações antissemitas da Idade Média que atribuem o registro de massacres, mas é considerada um mito pelos pesquisadores. Também foi um termo amplamente usado na propaganda antissemita durante a Segunda Guerra Mundial.

Em uma rápida navegada pela blogsfera, é possível perceber que Sarah não é a única conservadora que utilizou a expressão recentemente. Apesar disso, o uso por ela levantou a polêmica, e agora a ex-candidata republicana à vice-presidência dos EUA é acusada de "ser insensível" pela maioria dos grupos judeus dos EUA, que não demoraram a repudiar seus comentários.

O líder da Liga contra a Difamação, Abraham Foxman, lamentou que a tragédia de Tucson continue abordando a retórica incendiária que "corrói nosso sistema político" e atinge o ambiente dentro e fora de Washington. "Sarah não é culpada da tragédia, mas desejaríamos que tivesse usado outra frase, em vez de uma que traz tanta dor à comunidade judaica", disse Foxman.

O Conselho Nacional Judeu Democrático acredita que Sarah conseguiu exacerbar um momento já difícil para o país. "O uso do termo para atacar seus supostos inimigos dificilmente ajuda a melhorar a cultura política do país", disse o grupo.

Outros esperam que Sarah reconheça seu erro, ofereça desculpas e se comprometa a escolher palavras mais adequaOdas. s blogueiros conservadores, no entanto, defendem a ex-governadora, insistindo em dizer que o "escândalo" sobre a frase surgiu de "oportunistas do massacre de Tucson".

Sarah tirou do ar o mapa que continha 20 círculos eleitorais assinalados com um alvo e a lista de 20 congressistas democratas considerados seus inimigos políticos, incluindo Gabrielle. Apesar dos protestos, o vídeo sobre o "libelo de sangue" continuava disponível na sua página do Facebook na noite de quarta-feira.

Mensagem da primeira-dama

Por conta do debate nacional sobre a agressividade na retórica política, a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, instou os pais americanos na quinta-feira a ensinar aos filhos tolerância em resposta ao massacre em Tucson.

Michelle, que acompanhou o marido em uma cerimônia em memória das vítimas do tiroteio, publicou uma carta aberta, na qual diz que as crianças estão tentando encontrar um sentido para os disparos feitos no sábado na cidade do Arizona.

"Podemos ensiná-los o valor da tolerância, a prática de esperar o melhor, em vez do pior, em relação aos que nos cercam", escreveu. "Podemos ensiná-los a dar aos demais o benefício da dúvida, sobretudo àqueles com quem não concordamos", continuou.

A primeira-dama disse que a mensagem de unidade nacional dada pelo presidente Barack Obama na cerimônia na Universidade do Arizona, em Tucson, pode ser transmitida às crianças americanas.

*Com EFE e AFP

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