Saques obrigam ONU a reduzir porções de comida para refugiados em Darfur

Genebra, 17 abr (EFE).- Os saques sofridos continuamente pelos caminhões contratados pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas em Darfur, no Sudão, forçaram a redução das cotas diárias de comida entregues todos os dias a milhões de pessoas, anunciou hoje a organização.

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A diminuição nas porções começará em maio, segundo um comunicado do PAM, no qual lamenta que, devido à situação de insegurança e aos saques, os refugiados e desabrigados que recebem ajuda receberão 40% menos quilocalorias por dia.

Assim, as cotas terão apenas 1.242 quilocalorias por dia, contra a taxa recomendada de 2.156 quilocalorias diárias.

A partir de maio, todas as porções serão reduzidas à metade: 225 gramas de cereal por dia, 30 gramas de legumes e 15 gramas de açúcar.

Desde o início do ano, 60 caminhões contratados pelo PAM foram roubados em Darfur, dos quais 39 ainda não se conhece o paradeiro, e 26 motoristas estão desaparecidos. Um caminhoneiro foi assassinado no mês passado.

Em condições normais, os caminhões do PAM deveriam estar distribuindo nesta época do ano 1.800 toneladas de comida diariamente aos armazéns em Darfur para abastecê-los antes da temporada de chuvas, mas as entregas caíram drasticamente para menos da metade por dia.

Em março, mais de 2,4 milhões de pessoas receberam comida do PAM em Darfur, mas espera-se que o número de beneficiados aumente para três milhões durante a época de chuvas, que começa no próximo mês.

"Os ataques contra o canal de distribuição do PAM são ataques contra os mais vulneráveis em Darfur. Com mais de três de milhões de pessoas que dependem de nós para sobreviver durante a temporada de chuvas, manter esse canal aberto é questão de vida e morte", destacou Josette Sheeran, diretora-executiva do PAM.

O representante do PAM no Sudão, Kenro Oshidari, disse que o Governo sudanês oferece escolta para os comboios nas principais estradas, "mas a freqüência não é suficiente para manter o canal de alimentos aberto".

Oshidari pediu às facções rebeldes que lutam em Darfur para garantirem a segurança das estradas e respeitarem a neutralidade dos trabalhos de ajuda humanitária. EFE vh/wr/fb

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