Fim de semana de protestos deixou 35 policiais feridos, lojas incendiadas e motivou a prisão de mais de 100 manifestantes

Revoltas que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões de Londres na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em ruas da cidade.

Mais de 100 pessoas foram presas, policiais sofreram ataques, e lojas foram saqueadas e destruídas em vários pontos do norte de Londres, além de Brixton, no sul, e de Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica. Nas duas noites de violência, 35 policiais ficaram feridos.

A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) disse que os incidentes começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, um jovem negro de 29 anos. Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. O jovem teria sido morto em um suposto tiroteio que também teria ferido um policial.

A assistente social Michelle Jackson, de 43 anos, disse à BBC que muitos ficaram descontentes em Tottenham, um bairro que abriga muitos imigrantes, depois que a polícia começou a dar declarações sobre Mark Duggan à imprensa, mas sem fornecer qualquer tipo de informações para a família do jovem morto.

"Eu conheço o homem que foi morto, ele era um sujeito muito bacana, e eles estão fazendo parecer como se fosse uma espécie de gangster envolvido em armas e em coisas desse tipo", afirmou Michelle. Segundo ela, a polícia não sabe lidar com os jovens negros de Tottenham, e muitas pessoas de diversas nacionalidades e etnias se juntaram ao tumulto de sábado.

Os manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia. Por volta das 20h (16h no horário de Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada. Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares, um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios foram incendiados.

Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade. Veículos da polícia foram atacados e grupos de dezenas de jovens saquearam e incendiaram lojas.

"Eles destruíram a (casa de apostas) William Hill, colocaram fogo em latas de lixo. Vi uma (loja de celulares) Vodafone saqueada, uma (loja de calçados) Footlocker saqueada e incendiada, vi um (supermercado) Marks & Spencer atacado", relatou o jornalista da BBC Paraic O'Brien, que estava em Brixton.

Jornalistas também disseram ter visto jovens lançando pedras e garrafas contra a polícia e até usando extintores de incêndio para impedir a aproximação dos policiais, enquanto eles saqueavam lojas.

O repórter Andy Moore, da BBC, testemunhou as duas noites de violência e disse que elas tinham motivações bem diferentes. "O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente. Na noite passada, havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social", disse ele.

No domingo, a Scotland Yard prometeu uma "grande investigação" sobre o tumulto. Segundo a polícia, os investigadores vão colher o depoimento de testemunhas e averiguar as imagens das câmeras de circuito fechado.

A comandante da polícia, Christine Jones, afirmou que os policiais estão "chocados" com os "absurdos níveis de violência". "Não vamos tolerar essa violência deplorável. A investigação continua para levar esses criminosos à Justiça", disse Christine.

Partes de Tottenham, onde os tumultos começaram, ainda estão isoladas para que policiais e especialistas forenses examinem o local dos confrontos. Até o momento, 16 pessoas já foram indiciadas por crimes como roubo, violência e posse de arma.

'Revoltante'

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a violência em Tottenham é "inaceitável". A ministra do Interior, Theresa May, encurtou uma viagem de férias para se reunir com policiais nesta segunda-feira.

O vice-prefeito de Londres, Kit Malthouse, disse que não consegue imaginar qualquer desculpa para o que aconteceu.

"É totalmente revoltante ver isso nas ruas de Londres. Nós faremos todo o possível para evitar que isso se repita", disse. "Entendo que haja impaciência das pessoas [com a investigação sobre o caso Duggan], mas essas investigações demoram."

Com BBC

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