Sapporo, um gélido museu ao ar livre durante o Festival da Neve

Maribel Izcue. Sapporo (Japão), 6 fev (EFE).- São brancas, frágeis e efêmeras: mais de 200 imponentes esculturas de neve compõe o Festival de Inverno de Sapporo, uma das gélidas cidades do Japão, transformada por alguns dias no ano em museu ao ar livre.

EFE |

Nesta cidade, que fica na ilha de Hokkaido e costuma ter uma temperatura média durante o dia de 6 graus negativos, começou ontem e se estenderá por mais uma semana, um evento que atrairá segundo os organizadores 2 milhões de visitantes.

De pá em mão, protegidos em pesados agasalhos e cachecóis e com uma térmica de chá bem próximo, milhares de voluntários trabalharam dia e noite há semanas para erguer autênticas obras de arte na neve que, neste ano, bateram todos os recordes de altura.

Entre as obras está uma cópia da igreja de Nossa Senhora, de Dresden, na Alemanha, uma joia do barroco construída em pedra e reconstruída até o último detalhe.

Da base à cúpula, a igreja de neve mede 26 metros, erguidos em um mês em meio com a ajuda de escavadeiras, guindastes e andaimes, e retocados com paciência à base de martelo e cinzel.

Os modernos prédios de cimento do centro de Sapporo foram reconstruídos, assim como o castelo alemão de Wartburg, Patrimônio da Humanidade, o palácio coreano de Baekje e o prédio da universidade japonesa de Hokkaido.

A poucos metros dos monumentos está uma impressionante escultura de mais de 11 metros de altura com o selo da casa Disney e a imagem de um gigantesco Mickey e de sua namorada Minnie, cumprimentando aos visitantes.

"Nesta obra trabalharam pelo menos 2,1 mil pessoas: o mais jovem com 20 anos e o mais velho com 92 anos", explica um dos coordenadores da construção, orgulhoso da "admiração" que causou entre os próprios responsáveis da Disney.

Só para a construção desta estátua foram utilizadas 1,9 mil toneladas de neve, transportada à cidade em caminhões militares a partir das montanhas que rodeiam Sapporo, famosas por ter recebido os Jogos Olímpicos de Inverno de 1972.

"Na elaboração dos desenhos das esculturas colaboraram os estudantes da Universidade de Arte; depois o mesmo é feito na neve que pouco a pouco começa a ser esculpida", detalha o voluntário, enquanto com grossas luvas de borracha coloca com cuidado os últimos montes de neve.

A tradição das esculturas começou há 61 anos como um "hobby" de um grupo de estudantes que, para amenizar o rigor e a monotonia do inverno, decidiu erguer no Parque Odori, de Sapporo, figuras além do tradicional boneco com nariz de cenoura.

Com os anos as esculturas passaram a ser cada vez mais espetaculares e militares começaram a participar dos trabalhos.

"É um bom treinamento", detalha um ex-oficial de 52 anos que coordenou a construção de uma grande estátua com a imagem de Chibi Maruko-chan, um popular personagem de manga japonês no qual trabalham excessivamente centenas de militares.

Não é o único personagem japonês: clássicos do videogame como Mario Bros sorriem ao lado de outros personagens dos anos 90, como o Pokémon.

As figuras permanecem erguidas até o dia 12 de fevereiro. Nesse dia, no começo da manhã, os militares e grupos de voluntários destroem com as mãos as obras que construíram, "por motivos de segurança", explicam os responsáveis.

Neste ano, pela primeira vez, a neve utilizada para as figuras será reciclada em um projeto ambiental que prevê o uso para os sistemas de ar condicionado. EFE mic/dm

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