Santos atropela rival no 1º turno da Colômbia

Juan Manuel Santos e Antanas Mockus disputarão a sucessão de Uribe em 20 de junho

iG São Paulo |

O candidato governista Juan Manuel Santos contrariou as pesquisas e obteve uma enorme vantagem no primeiro turno da eleição presidencial da Colômbia, no domingo.

© AP
Juan Manuel Santos comemora o resultado do 1º turno

O ex-ministro da Defesa no governo de Álvaro Uribe não conseguiu maioria absoluta contra Antanas Mockus , do Partido Verde, mas irá ao segundo turno sem a pressão de precisar formar grandes alianças.

Com 99,71 por cento das urnas apuradas, Santos acumulava 46,56% dos votos, contra 21,49% de Mockus, de acordo com o Registro Nacional. O segundo turno será em 20 de junho .

As pesquisas indicavam um resultado mais apertado, e há apenas uma semana a situação era de empate técnico entre os dois candidatos, que prometem manter as principais políticas de Uribe.

Em terceiro lugar ficou o candidato do partido Mudança Radical, Germán Vargas Lleras, com 10,13% dos votos. O esquerdista Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, recebeu 9,15%.

A boa votação de Vargas também foi uma surpresa, e seu apoio deve ser cobiçado no segundo turno. No passado, ele já declarou que, se não fosse candidato, votaria em Santos.

Em um emocionado discurso, cheio de elogios a Uribe, Santos pediu união aos seus seguidores, e acenou com uma coalizão com os partidos Mudança Radical, Conservador e Liberal, para que "nossa economia cresça com igualdade, como deve ser, para liderar a transformação social da Colômbia, derrotar a pobreza e gerar oportunidades de prosperidade para todos", disse o candidato.

Mockus, por sua vez, se disse confiante numa virada. "Com este segundo turno temos a oportunidade de avançar rumo a uma profunda transformação cultural que liberte nosso país da violência, do narcotráfico e do clientelismo", declarou. Em abril deste ano, Mockus reconheceu que sofre do Mal de Parkinson, ainda em estágio inicial. Segundo seus médicos, os sintomas só começarão a afetar o cotidiano do político em dez anos.

Cerca de 30 milhões de colombianos estavam habilitados a votar, e a abstenção ficou em torno da média histórica de 50% --o voto é facultativo.

O ministro da Defesa, Gabriel Silva, disse que esta foi "a jornada eleitoral mais tranquila nos últimos 30 anos, isso nos orgulha".

A guerrilha Farc costuma realizar atentados em épocas eleitorais, para buscar protagonismo político, mas o governo disse que o único incidente grave foi a morte de um soldado numa ação dos rebeldes no Departamento (Estado) do Meta (sudeste).

AP
Soldado colombiano monta guarda enquanto eleitores procuram seus nomes em lista de votação

Sucessão de Uribe

Em nota, Uribe disse que a Colômbia "recuperou a liberdade política que esteve sequestrada pelo terrorismo". "Obrigado, Forças Armadas; obrigado, cidadania", acrescentou.

Alvo de críticas da esquerda e de organizações sociais, Uribe que se tornou o principal aliado dos Estados Unidos na região terminará seu controvertido mandato com cerca de 68% de popularidade.

Seu sucessor receberá um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado, com 12% de desemprego, um dos mais altos índices da América Latina e com uma crise de credibilidade institucional.

* Com Reuters e BBC Brasil

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