O prefeito (governador) do departamento (Estado) de Santa Cruz, na Bolívia, Rubén Costas, afirmou que não aceitará que o governo central do país assuma o comando da polícia local depois da renúncia do comandante, Wilge Obleas, no domingo. Obleas pediu o afastamento do cargo depois de um violento confronto, no qual foi inclusive agredido, entre policiais deficientes e membros da oposição ao governo do presidente Evo Morales em Santa Cruz.

Com sua renúncia, o governo central tem a atribuição constitucional de indicaro comandante policial de cada departamento.

No entanto, Costas argumenta que os eleitores de Santa Cruz votaram, em maio passado, pela autonomia do governo central - fato que não é reconhecido porMorales.

"Não aceitarei uma escolha do governo central. O novo comandante será definido com a minha decisão e aprovação", disse Costas num discurso, segundo a imprensa boliviana.

Confronto
O confronto de domingo em Santa Cruz deixou pelo menos 21 pessoas feridas.Os deficientes têm realizado protestos para cobrar do governo o pagamento de uma bonificação anual de três mil pesos bolivianos (cerca de US$ 420).

Costas responsabiliza o presidente pela violência.

"Vamos dizer ao senhor presidente assassino dos bolivianos, o senhor é o responsável, um verdadeiro criminoso. Não respeita mulheres e nem deficientes", afirmou o prefeito.

A atitude de Rubén Costas, líder do departamento mais rico da Bolívia, levou o ministro de governo, Alfredo Rada, a criticá-lo, neste domingo, de acordo com a agência de notícias oficial ABI.

"Quem não respeita as leis e as autoridades não respeita a democracia", disse Rada.

O ministro afirmou ainda que a segurança já foi reforçada nos prédios públicos do Estado nacional em Santa Cruz.

Para ele, os "mesmos grupos radicais" que atuaram na sexta-feira vão pretender "atacar as instituições públicas" nesta semana.

Em contrapartida, Costas pediu aos moradores que fiquem de "vigília" para evitar "ações" do governo central.

Oposição
O novo capítulo da disputa entre oposição e governo ocorre próximo da greve geral anunciada para esta terça-feira em cinco dos nove departamentos (equivalentes a Estados) do país.

Governados pela oposição, Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca exigem que o governo central volte atrás na decisão de diminuir os repasses das verbas obtidas com a exploração de recursos naturais, inclusive do setor petroleiro.

O governo central diz que diminuiu os repasses aos departamentos para pagar um bônus mensal aos idosos do país.

Juntos, os cinco departamentos representam mais de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) da Bolívia.

Além disso, o conflito acontece poucos dias depois do referendo revogatório, realizado no dia 10 de agosto, quando a maioria (67,41%) dos eleitores votou pela continuidade de Morales no cargo - em 2005, ele tinha sido com 53,7% dos votos.

No referendo, os principais opositores ao líder boliviano, como os prefeitos da chamada "meia lua", também foram ratificados. Foram eles, junto com a prefeita de Chuquisaca, Savina Cuellar, que anunciaram a greve desta terça-feira.

Cuellar já foi aliada do governo Morales e hoje forma parte da oposição. Um dia depois do referendo, diferentes analistas ouvidos pela BBCBrasil observaram que aquela votação não resolveria os problemas do país.

Na semana passada, Morales e os prefeitos (governadores) dos cinco departamentos dominados pela oposição fracassaram na tentativa de chegar a um acordo para acabar com os protestos, na primeira tentativa de diálogo entre eles desde a realização do plebiscito.

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