Santa Cruz irá às urnas amanhã para votar estatuto de autonomia

Santa Cruz (Bolívia), 3 mai (EFE) - O departamento de Santa Cruz irá amanhã às urnas para ratificar seu estatuto de autonomia, como parte de um processo de construção do que afirma ser uma nova Bolívia, disse hoje o governador Rubén Costas. A crise política da Bolívia chegará a um ponto crucial amanhã, 4 de maio, quando 935.959 habitantes de Santa Cruz irão às urnas para decidir se querem ou não adotar um estatuto autônomo que o Governo de Evo Morales rejeita, por considerá-lo separatista, e promovido pelas lojas maçônicas conservadoras deste departamento.

EFE |

Nem o Executivo nem a Corte Eleitoral Nacional reconhecem a legalidade desta consulta, também prevista para ocorrer nas regiões opositoras de Beni, Pando e Tarija no mês de junho.

"Achamos que a Bolívia começa a renascer através das regiões", assegurou hoje Costas, em uma movimentada entrevista coletiva com a presença da mídia internacional.

O governador Costas, principal autoridade de uma região que é considerada um reduto da oposição a Morales, explicou que o projeto autonomista liderado por Santa Cruz faz parte "da criação de uma nova Bolívia", que pretende "unificar o país dentro de sua diversidade".

Perante a imprensa internacional, Costas defendeu que o referendo de Santa Cruz está amparado pela Constituição vigente e, segundo ele, "é parte essencial do processo democrático".

O governador destacou que o movimento, liderado por Santa Cruz e seguido por outras cinco regiões opositoras a Morales, "tem que se voltar para um grande pacto nacional", e garantiu o compromisso deste departamento para que se produzam as condições para esse encontro.

O objetivo é a desconcentração do poder, como ocorre "em todos os países organizados e civilizados".

"Mas aqui satanizam a iniciativa, porque se volta contra o centralismo", assegurou.

Segundo Costas, a Bolívia "padeceu quase 200 anos de centralismo, corrupção e privilégios, antes com um modelo neoliberal e hoje 'neosistêmico' (em alusão ao Governo Morales), que faz o mesmo ou pior, com ódio e rancor".

"Enquanto isso, os bolivianos migram para a Espanha e morrem de fome", sentenciou o governador regional.

"Somos uma gente pacífica. O que queremos é simplesmente uma melhor qualidade de vida. As regiões que clamam por autonomia não constituem uma oposição estruturada ao Governo de Evo Morales. Nossa inimiga é a pobreza, e queremos vencê-la", acrescentou.

Contudo, Costas acusou o atual presidente boliviano de "totalitarista e fundamentalista". Apesar disso, afirmou não acreditar que Morales deva renunciar caso o "sim" autonomista obtenha um amplo respaldo na consulta de amanhã.

Também ratificou seu "espírito democrático", e assegurou que é contrário a um golpe de Estado no país, depois que Morales acusou na sexta-feira, sem citar nomes, alguns ex-altos oficiais militares de lançar falsos rumores a esse respeito.

Costas disse que não acredita que Morales seja um "inimigo das regiões", em especial de Santa Cruz, departamento onde 40% de seus habitantes são originários de outras regiões do país, que "buscaram melhores condições de vida".

Santa Cruz vive com aparente calma as horas prévias à realização do referendo autônomo, embora o temor de focos de violência continue presente.

Costas insistiu também em tranqüilizar a população, e recomendou que não se deixe levar pelas provocações.

Mais de 300 veículos de imprensa, 70 deles internacionais, se credenciaram perante a Corte Departamental de Santa Cruz para a cobertura informativa do referendo de amanhã. EFE sam/iw/gs

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