Santa Cruz finaliza últimos preparativos para referendo no domingo

Santa Cruz (Bolívia), 2 mai (EFE).- A região boliviana de Santa Cruz finaliza os últimos preparativos para a realização do referendo sobre a autonomia da região, previsto para esse domingo, em meio a pedidos de calma e sob os olhares da Organização dos Estados Americanos (OEA).

EFE |

Aproximadamente 935 mil moradores de Santa Cruz, de acordo com o censo departamental, foram chamados a ratificar no domingo um estatuto autônomo, considerado separatista e ilegal pelo Governo de Evo Morales.

A oriental e próspera Santa Cruz lidera um movimento autonomista na Bolívia, apoiada por outras cinco regiões do país, todas governadas por opositores de Morales que não concordam com o projeto de reformulação da Constituição promovido pelo presidente boliviano.

A crítica situação na Bolívia levou hoje à OEA a realizar uma reunião extraordinária de seu Conselho Permanente, depois que o organismo atuou como mediador para tentar - até agora sem obter sucesso - que o Governo e seus opositores iniciem um processo de diálogo.

Na sessão em questão, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, afirmou hoje que "o diálogo não obteve êxito" e advertiu sobre possíveis episódios violentos durante a realização do referendo autônomo.

Choquehuanca acusou as autoridades de Santa Cruz de se negarem a dialogar com o Governo e destacou que a consulta convocada nessa região é "um despropósito anticonstitucional".

Por sua parte, os dirigentes de Santa Cruz pediram a calma e disseram acreditar que o domingo será um dia tranqüilo, a menos de 48 horas do referendo e diante do temor sobre possíveis enfrentamentos entre autonomistas e governistas.

"Não vamos especular sobre a violência porque jamais vamos cair na provocação", disse o presidente do Comitê Cívico, Branko Marinkovic, acrescentando que o povo de Santa Cruz responderá as manifestações das bases de Morales com o "voto democrático".

Marinkovic rejeitou as críticas destinadas a Santa Cruz, que costuma ser taxada de "racista" e "separatista", argumentando que as propostas da região são "para todo o país". Ele observou ainda que esse é o desejo de dois terços da bolívia, o que representaria a "realidade nacional".

Também o presidente do Senado, Oscar Ortiz, opositor e de Santa Cruz, em entrevista à Agência Efe, recomendou aos eleitores da região que evitem enfrentamentos, caso os governistas os impeçam de ir às urnas.

"Em lugares como São Julián - localidade de Santa Cruz considerada como um reduto do oficialismo -, se houver impedimento para a votação, o mais recomendável é pedir às pessoas que não insistam", disse Ortiz.

O presidente do senado argumentou que os opositores não devem dar esse "gostinho" ao governo, referindo-se a uma possível onda de violência provocada por parte dos opositores.

Há menos de dois dias do referendo de Santa Cruz, uma relativa normalidade reinava na capital, onde foram realizadas hoje várias manifestações de organizações sociais e afins ao presidente, que se reuniram no início da tarde.

O embaixador boliviano na Venezuela, Jorge Alvarado, pediu hoje à (OEA) que se mostre "firme" diante das pretensões "separatistas" do departamento de Santa Cruz.

"Desejamos que a OEA tome uma posição firme, porque só assim se poderá garantir a integridade da Bolívia e a consolidação da democracia", disse Alvarado ao canal estatal "Venezolana de Televisión".

O diplomata reconheceu que o organismo interamericano está defendendo o Governo legítimo do presidente Evo Morales, a democracia boliviana e a integridade territorial do país, mas considerou que é necessário que faça isso forma mais decidida.

Por sua vez, a Corte Eleitoral Departamental manteve suas atividades de envio de material e urnas para o referendo de domingo, sem que se tenha registrado incidentes até o momento, de acordo com o presidente deste organismo, Mario Parada.

Parada admitiu, no entanto, que "o único problema" poderia estar na localidade de San Julián, com maioria de pessoas a favor do Governo Morales, embora tenha garantido que a Corte Departamental fará a instalação de urnas em todas as zonas eleitorais.

O líder boliviano, por sua vez, acusou hoje na cidade de Cochabamba (centro), alguns ex-altos cargos militares, sem citar nomes, de lançar falsos rumores sobre um possível golpe de Estado, em meio a iminente realização do referendo sobre a autonomia de Santa Cruz.

"Alguns ex-comandantes se equivocam ao lançar o rumor de um golpe de Estado", disse Morales em um ato com as Forças Armadas, em Cochabamba (centro).

"Jamais vamos usar as Forças Armadas de forma partidária ou com interesses pessoais", destacou o chefe de Estado, ao negar que os militares estejam "submetidos" a ele ou a seu Governo, como denunciam esses ex-comandantes. EFE sam-az/fb

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