Santa Cruz amanhece calma, mas sob a ameaça de novos protestos

A cidade boliviana de Santa Cruz, epicentro na terça-feira de graves distúrbios com saques a prédios públicos, amanheceu em calma nesta quarta-feira, mas sob a ameaça de organizações civis de prosseguir com os protestos contra o governo.

AFP |

Os confrontos entre manifestantes e policiais cessaram, mas grupos de jovens saquearam até a madrugada os escritórios de uma empresa de telecomunicações nacionalizada recentemente pelo presidente Evo Morales.

A União Juvenil de Santa Cruz (UJC), tropa de choque das organizações civis de Santa Cruz, também mantém o controle da secretaria de Impostos e Reforma Agrária, que também foram saqueados pelos rebeldes.

O canal TVB e a rádio Pátria Nova, ambas estatais, foram saqueados e tiveram equipamentos queimados, enquanto a rádio católica Erbol foi atacada.

O presidente do comitê cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, qualificou o protesto em uma carta a Morales de "manifestação pacífica de cidadãos que desejam expressar seu repúdio porque o senhor se nega a reconhecer as autonomias".

O prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, responsabilizou Morales pelos atos de violência.

O governo, que considerou o dia de violência em Santa Cruz e outras três das nove regiões da Bolívia como o início de "um golpe de Estado cívico-prefeitoral", se reúne nesta quarta-feira em La Paz.

Os incidentes começaram na terça-feira na região de Villamontes, departamento de Tarija, quando grupos cívicos opositores ocuparam uma usina que distribui gás natural ao Brasil, mas sem conseguir cortar o fornecimento do combustível ao país vizinho.

A Bolívia passa por uma grave crise política, pelas irreconciliáveis visões de país do governo, de cunho estatista e indigenista, e da oposição, que deseja a formação de governos autônomos de tom liberal.

rb/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG