Os Estados Unidos e a França afirmaram que novas sanções contra o Irã são o único caminho depois que o governo iraniano anunciou a ampliação de seu programa nuclear a partir desta terça-feira. Apesar de afirmar que ainda quer tentar encontrar uma solução pacífica, o secretário de Defesa americano Robert Gates afirmou que as sanções podem ser a única alternativa.

"Será necessário que toda a comunidade internacional trabalhe junta, para tentar pressionar (o Irã). O ponto de pressão é trazer os iranianos de volta para as negociações e resolver esta questão de uma forma que evite que o Irã obtenha uma arma nuclear", disse.

O ministro da Defesa francês, Herve Morin, concorda com Gates e acrescenta que, se o governo do Irã continuar com o programa de enriquecimento de urânio em Natanz, será alvo de novas sanções.

"Toda a comunidade internacional, particularmente o presidente (Barack) Obama, tenta há meses retomar as condições para um diálogo com o Irã, com um objetivo simples: de que (o Irã) abandone o programa, programa que estamos convencidos estar ligado ao desenvolvimento de um programa militar."
"Não há provas de que isto está acontecendo e muitos decidiram que é necessário iniciar um diálogo internacional que vai levar a novas sanções se o Irã não encerrar seu programa, que, estamos convencidos sem dúvida, são programas com fins militares", afirmou Morin.

O ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, foi ainda mais incisivo em seus comentários, afirmando que "é uma verdadeira chantagem. A única coisa que podemos fazer é aplicar sanções, já que as negociações não são possíveis".

Sanções
O Conselho de Segurança da ONU já impôs três rodadas de sanções contra o Irã numa tentativa de fazer com que o país paralise todas as atividades de enriquecimento de urânio.

Mas o Irã comunicou à ONU que vai ampliar seu programa nuclear a partir da terça-feira, uma decisão anunciada no domingo pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad em discurso exibido em cadeia nacional de TV.

No mesmo dia, o chefe do programa nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou que o país começaria já esta semana a enriquecer urânio em 20% em Natanz, a principal usina de enriquecimento do país. Ele afirmou ainda que 10 novas usinas do gênero seriam construídas em solo iraniano até o fim do próximo ano.

Atualmente o Irã enriquece urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento do reator nuclear de Teerã, desenhado para produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em ao menos 90%.

Autoridades iranianas e porta-vozes dos Estados Unidos e da União Europeia não conseguiram chegar a um acordo sobre o programa de enriquecimento de urânio do Irã. De acordo com propostas que vêm sendo discutidas desde outubro, 70% do urânio iraniano seriam enviados ao exterior com baixo índice de enriquecimento (3,5%).

O material iria para Rússia ou França, para ser então enriquecido a 20% e transformado em combustível para reatores. A base para o acordo seria o entendimento fechado entre o Irã, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o chamado grupo P5+1 - formado pelos cinco países do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha.

Mudanç a d e planos
De acordo com analistas, depois de idas e vindas nas negociações o governo iraniano decidiu mostrar que perdeu a paciência e que pretende enriquecer urânio de maneira doméstica.

O chefe do programa nuclear iraniano disse que ainda havia tempo para um acordo com as potências ocidentais se o Irã recebesse urânio enriquecido a 20% do exterior.

O país declarou que estava pronto para trocar urânio de baixo nível por material com alto grau de enriquecimento, mas que exigia uma mudança em algumas bases do plano da ONU e da IAEA.

O Irã expressou preocupação pois o plano prevê que o país ceda grande parte de seu estoque de urânio para enriquecimento no exterior em um tempo que pode chegar até um ano.

Colaborou Tariq Saleh, de Beirute

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