Sanções não funcionariam, diz embaixador russo

Eventuais sanções contra a Rússia devido a crise na Geórgia iriam prejudicar mais a própria União Européia (UE), segundo o embaixador russo na Grã-Bretanha, Yuri Fedotov. Fedotov fez as declarações um dia antes de um encontro do bloco europeu para avaliar a crise no qual a possibilidade de impor sanções contra a Rússia será avaliada.

BBC Brasil |

O embaixador disse à BBC que a Rússia não quer mais confrontação e não busca uma nova Guerra Fria.

"Mas se os nossos parceiros preferirem outra opção (de confrontação), é claro que a Rússia responderá, reagirá", disse Fedotov.

A União Européia importa cerca de um quarto do gás natural que consome da Rússia, que é também um grande exportador de petróleo.

A Alemanha e a Grã-Bretanha adotaram posturas distintas sobre como a UE deve prosseguir.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu uma reavaliação das relações com a Rússia para prevenir mais "agressão russa."
"A minha mensagem para a Rússia é simples. Se você quer ser recebido no topo de organizações como o G8 (grupo dos países mais industrializados), a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e a OMC (Organização Mundial do Comércio) você tem de aceitar que, com direitos, vêm também obrigações," disse o premiê em um artigo no jornal The Observer neste domingo.

Já o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse que ações unilaterais tanto pela Rússia como pela Geórgia levaram a uma intensificação da crise.

Em uma entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine, ele disse que a UE deve ter um papel importante em prevenir que a crise tome novas proporções.

"Nós precisamos (que a Europa desempenhe) um papel forte e consciente que permita um retorno à razão e à responsabilidade", afirmou.

No início da semana, Steinmeier rejeitou a idéia de sanções, dizendo que a Rússia continuará sendo vizinho da Europa e que é de interesse do bloco retornar a uma "relação normal".

O conflito na região começou no dia 7 de agosto, quando a Geórgia tentou retomar o controle da Ossétia do Sul com uma ação militar e a Rússia contra-atacou.

Na semana passada, a Rússia reconheceu a independência da Ossétia do Sul e de outra província separatista da Geórgia, a Abecásia.

Manifestações
Manifestantes georgianos planejam realizam protestos em Tbilisi, capital da Geórgia, e em outras capitais européias para coincidir com o encontro desta segunda-feira em Bruxelas.

O encontro foi convocado pela França, que está atualmente na Presidência da União Européia.

O ministro do Exterior francês, Bernard Kouchner, disse à BBC que Paris não é a favor de sanções contra a Rússia, mas que a opinião de todos os membros da UE será levada em conta.

"A situação é muito difícil e... nós devemos ser firmes na nossa posição de oferecer uma linha defendendo, é claro, a integridade territorial da Geórgia", afirmou.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG